Eu não faço vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.
Scarlet
Scarlet
terça-feira, 3 de agosto de 2010
ANTÍDOTO
A dor que se guarda no peito, quando muito forte leva mágoa, que leva ao rancor, que por sua vez leva ao ódio. E o ódio, nos leva ao desatino. Com isso, iremos por certo jazer entre feridas que causaremos a nós mesmos naqueles que nos cercam... Nada pode ser mais venenoso do que esse sentimento.
Por todos os cantos da terra padecem hoje, inúmeras Medéias e Sarahs com as dores das chagas que lhes foram abertas no peito. Mas eu lhes digo com a certeza de quem sobreviveu as próprias chagas. Que Libertem-se! Curem-se das suas feridas mesmo que tenham que lavá-las com lágrimas e unir as carnes dilasceradas com as próprias mãos, até que por fim cicatrizem. Pois é certo que cicatrizarão!
E quando curadas as feridas, vivam o melhor que puderem. Pois não há bofetada mais bem dada e dolorida na cara de quem te açoita, do que o brilho no teu olhar de felicidade seguido do sorriso de alegria a ornamentar a tua cabeça erguida.
A chibata da derrota é a vitória e o antídoto contra o mal é o bem. Então, se livrem a qualquer custo das mágoas e rancores... Deixem que o bem e a esperança sobrevivam. Pois o desespero só leva a uma sucessão de erros, ao trágico.
Deixo-lhes agora na companhia de Sarah para que deixem nessas linhas a mágoa que lhes fere a alma. E se libertem através das lágrimas de Sarah, do trágico da história de cada um.
Deixem aqui suas lágrimas e sigam em frente, em busca do sorriso que lhes espera logo ali adiante...
Força, fé, coragem e esperança!
A história que vou contar agora, fala sobre a hibernação da sensibilidade feminina de nossa heroína. Resultando na quase total perda da sua identidade, e como não poderia deixar de ser, em dado momento rebelou-se.Vindo ressurgir de forma inusitada e ainda mais sedutora que em sua juventude.
Apresento-vos então...
SARAH
Era noite, Sarah como sempre terminava mais um dia entediante e rotineiro. Seu dia era igual ao de tantas outras donas de casa. Organizando as despesas domésticas, cuidando dos filhos, dos animais de estimação e do marido apático. Tão certo da dependência de Sarah, que limitou há tempos seu desempenho de marido a função de provedor. Era um amante morno de poucos recursos, que mesmo depois de anos de convivência, nem ao menos conhecia as zonas de prazer da companheira. Como se já não bastasse, conseguia segurar seu prazer apenas por poucos minutos repletos de frustrações; explodindo precocemente privando Sarah da sensação de prazer na grande maioria das vezes em que se encontravam. Rotina que era quebrada apenas quando ele a presenteava com sua boca a acariciando-la por alguns instantes.
No início, tal carícia levava Sarah a uma explosão seguida de espasmos intensos e deliciosamente reconfortantes. Seu sexo se deleitava em ondas espasmódicas que iam diminuindo lentamente, espalhando-se por todo seu corpo. Tal como o abalo causado por uma pedra atirada na superfície calma de um lago. Suas entranhas ficavam quentes e macias, inundadas generosamente por seu prazer representado de forma líquida preparando seu sexo para o que viria a seguir. A sensação era tão boa que ela nem se importava com a invasão, a visita pouco vigorosa que viria por receber.
Com o passar do tempo devido à imperícia criativa de seu companheiro. A explosão se dava de forma cada vez mais difícil e seus espasmos eram cada vez mais breves. O marido sabia de suas limitações, mas egoístamente responsabilizou Sarah pelo seu desempenho se quer mediano. Criticava suas carícias, podava suas fantasias e desejos lascivos, chegando a acusá-la de não ser amante de tal prática.
Sua devoção por esse homem era tanta, que Sarah se esqueceu das noites de prazer que conheceu antes dele; e do intenso prazer que tantas vezes sentiu e fez sentir. Acabando por acreditar nos argumentos que lhe foram dados pelo marido.
Aos poucos sua alma sensual foi se apagando, e Sarah deixando de gostar de tais encontros. Pois quase nunca lhe era proporcionado prazer. E como se não bastasse após a cada tentativa, tinha que ouvir os lamentos de um marido acomodado quanto ao próprio desempenho falho. E reconfortá-lo com palavras de carinho encorajador que ele ouvia, adormecendo em poucos minutos num roncar ensurdecedor. Acordando na manhã seguinte como se nada tivesse acontecido.
E assim seguiam os seus dias, buscava prazer na decoração da casa, nos filhos, na comida e num eventual prazer solitário. Ironicamente, o marido por vezes se queixava da apatia sexual de Sarah, e assim, esquecia de forma conveniente sua própria incapacidade.
Sarah era uma pérola sensual que infelizmente caíra em mãos erradas. Uma mulher sem preconceitos, que tinha como limite do seu prazer, o prazer de seu parceiro e onde ela a fizesse chegar. E quando lá chegava novas fronteiras estava sempre disposta a cruzar.
Gostava de ser possuída sem pena ou culpa. Sentir em suas entranhas serem conquistadas com toda a força e precisão como a de um experiente caçador que abate a sua presa. A loucura sensual animalizada do parceiro quadruplicava seu prazer. E quando este explodia em gozo, o prazer que ela própria sentia era algo indescritível. Seu rosto adormecia e sua mente fugia num transe de prazer inenarrável, guardando as marcas deixadas em seu corpo com orgulho. A dor que essas marcas proporcionavam, levavam-na a várias ondas de prazer durante o dia. Porém todo esse desejo de fêmea foi guardado e trancado em seu baixo ventre em nome de um amor que talvez só existisse dentro dela.
Seu marido apesar de tudo era um grande amigo, dedicava-se a família e a ela especialmente de uma forma submissa que a incomodava. Um misto de amigo e filho que ela cuidava com carinho. Sentia-se segura e aconchegada, era esse o motivo que lhe dava a sensação de valer à pena o que tinha deixado de lado.
Mas a vida de luta que levava somada a falta de prazer sensual. Fez com Sarah fosse murchando sem perceber, e o marido mais uma vez convenientemente fingiu não ver. Pois se admitisse o que percebia, teria que admitir suas limitações e procurar superá-las. Mas seu orgulhoso complexo de inferioridade não o permitia. Orgulho de macho sem ser macho, que na verdade... É covardia.
Ele estava agora diante de uma mulher consumida, sem brilho, sem energia. Que morria aos poucos e era quase um fantasma a vagar pela casa. O que ele poderia fazer? Que atitude poderia tomar? Como ser cômodo que era, voltou seu olhar para outra. Mas não uma mulher realmente senhora de si. Voltou sua atenção para uma mulher mal amada e insatisfeita com o casamento. Com certa aparência e de cultura limitada, porém razoável, na medida para alimentar o seu instinto soberbo.
Em certos aspectos, era uma cópia barata de coisas que admirou na esposa ao conhecê-la. Mas na realidade, bem lá no fundo. A mulher que naquele momento lhe chamou a atenção era o oposto da esposa quando a conheceu. Naquela época Sarah era senhora do próprio destino, estava no auge de sua sensualidade, bem sucedida profissional, cultural e financeiramente. Com uma bagagem de vida que ele mesmo até aquele momento não havia alcançado. Uma mulher que precisou ser anulada para que ele sobressaísse a seu lado.
Já a sua nova conquista como eu já havia dito. Era uma mulher, mal casada, mal amada por mais que afirmasse o contrário. Mulher que vivia a mentira de um casamento perfeito diante da sociedade. Provavelmente infeliz, e ainda por cima presa a dogmas religiosos que possivelmente a mantinha em conflito com seus desejos. Se é que sua religiosidade era uma manifestação verdadeira...
Tal mulher veio cair como uma luva para as suas necessidades e capacidade se quer medianas. Não precisava ser anulada, pois seu brilho era aparente e sua vivencia hipotética. Quanto ao sexo, os dogmas com os quais se remoia, cuidariam de travá-la. Em resumo, uma cópia barata do que Sarah fora um dia e uma réplica com certo verniz do que ao seu lado se tornara.
Ao lado da amante, sentia-se grande. Pois além de tudo, conquistara a mulher de outro macho. Uma combinação perfeita! Além do mais, que mulher madura e bem resolvida se entregaria a tal amante?
Com essa relação capenga e clandestina, ele sentiu-se poderoso. O mais cobiçado dos homens! Já não conseguia ver ao olhar para o espelho os traços embrutecidos de seu corpo que não negavam sua origem. Assoberbou-se ainda mais colocando sua amante e ele mesmo, num patamar de moralidade e dignidade que só existia em seus devaneios.
Cresceu absurdamente diante do espelho, e despencou vertiginosamente diante do olhar daqueles que o admiravam num antagonismo simultâneo.
A ilusão de superioridade que se abateu sobre ele por conta do relacionamento clandestino foi tão intensa. Que ele passou sobre Sarah massacrando-a com uma maestria e competência que jamais havia mostrado em sua vida. Parecia um gigante devastando uma aldeia de forma fria, cruel e irresponsável sem se importar onde estava pisando. Estava tão confiante que descuidou da família, dando a outra mente doentia com a qual se associou acesso a sua casa. E com a prepotência soberba comum aos delirantes, renegou Sarah como mulher e amante. Como ele tivesse sido algum dia um homem a altura da mulher e amante que teve em suas mãos. Chegou até mesmo a confessar sua imperícia sexual, na tentativa infantil de fazer Sarah afastar-se dele.
A princípio Sarah perdeu-se em desespero. Seu sofrimento foi tão profundo a ponto de causar-lhe uma "hemorragia na alma". Faltava-lhe o ar, faltava-lhe o chão e quase lhe faltou à vida.
Com o resto de força que nem sabe de onde havia tirado, tentou fazer com que aquele homem visse a realidade absurda dos fatos. Tentou recuperar seu coração. Mas a realidade é aquilo que em que acreditamos; seja por teimosia ou por incapacidade de ver além. Da mesma forma, que não poderemos recuperar o que nunca tivemos.
Diante dessas duas verdades, Sarah não teve outra opção senão procurar curar suas feridas da melhor forma que pudesse e custasse o que fosse.
Nesse processo de cura aos poucos aquele homem tolo, perdeu o coração da melhor mulher e uma das melhores pessoas que por sua vida passou. Restou um carinho sem admiração, um sentimento que ela mesma demorou a decifrar. Pois era inédito, ela nem sabia ser possível sentir um carinho assim, antagônico. Que aos poucos foi se volatizando até quase inexistir.
Dessa forma, a Sarah de outrora e aquela em que havia se transformado, foram se libertando. E aos poucos trazendo pelas mãos a Sarah menina. Menina, moleca e sensual, de sorriso largo.
Sarah sempre disposta a sensações saborear.
Sarah que inicia o sexo no olhar.
No tom da voz te faz desejar.
Sarah que te leva pra cama;
E que a idéia foi sua, te faz acreditar.
Que te domina ao te permitir dominar.
Sarah que absorve de ti o teu prazer de gozar.
Transformando no dela o teu prazer;
E te faz flutuar...
Hoje sou Sarah, melhor mais vivida, não vá duvidar!
Sou conjunto de opostos, mulher e menina;
Que te tira do sério e te faz delirar.
Eu sou assim... Simplesmente... Sarah.
Nara
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