Creio que ainda não comentei aqui. Mas tenho uma página em um site literário onde posto com certa regularidade e mantenho contato com outros autores. Pois bem, há alguns dias recebi um email de um autor muito querido, em que ele convidava aos amigos a lerem sua mais recente postagem. Um texto que intitula-se “Lembrando De Um Grande Amor”.
Já nas primeiras linhas minha atenção foi capturada pela cadencia das palavras e a suavidade romântica com que se desenrolavam ao longo daquelas linhas. E assim aos poucos, depois em catadupas, fui mergulhando até me encontrar absorvida pelas minhas próprias memórias de amor. E ao me lembrar do amor, senti saudades e desejei amar novamente.
Saudades de uma amor que chegou na hora precisa e partiu precocemente com seus lábios trêmulos a me dizer “Eu te amo”, para ganhar assim, o seu lugar na eternidade. Enquanto eu jazendo em involuntário luto, rendia e ainda rendo todos os dias , homenagem a sua memória mantendo-me casta no pensamento e na carne a contemplar com um sorriso de ternas saudades, as marcas desse amor em mim.
Aquela leitura me levou a lágrimas intrínsecas que por fim, externaram -se nos meus olhos. Foi então que percebi que meu luto chegava ao fim. Pois ao lado e no lugar ao mesmo tempo, percebi a saudade do amor contraditoriamente a sua permanência, transmutar-se em saudade de amar. Sei que é uma descrição confusa e complexa para uma sensação simples e natural, tão natural quanto amar. Mas foi o que aconteceu em mim.
Senti saudades de acordar todas as manhãs não apenas por mim, mas também pelo outro. Saudades de me sentir feliz e plena com coisas pequenas e simples. Saudades de me sentir grande apenas por receber um sorriso... Saudades de me sentir em êxtase vivendo coisas simples e rotineiras.
Ah, meu Querido! Descanse em paz por nós dois e felicite-se pelo sublime amor com que você me contaminou de forma irremediável. Agora mesmo sem você, não vivo sem amar.
Boa Noite Meu Bem!
Eu sigo...
Nara
Dedico essas palavras ao poeta de terras distantes. E deixo agora com vocês, uma de suas obras
Apresento-lhes o Poeta de Marte...
LEMBRANDO UM GRANDE AMOR
E você, Esther, ainda se lembra do nosso amor?
Ainda lembra daquelas tardes de inverno quando, para chegar mais rápida ao meu encontro, pisava perigosamente no acelerador de seu carro e eu ficava angustiado temendo que sofresse um acidente derrapando no asfalto molhado de neve?
Mentalmente acompanhava todo o seu percurso, a partir do momento em que ligava o motor, até a sua chegada, imaginando cada curva, cada cruzamento e ficando sossegado somente quando ouvia o seu carro estacionar debaixo das janelas da minha casa.
Insidiosa, mas bendita aquela neve: você tremia de frio e eu lhe abraçava mais forte que podia esquentando-a com o meu corpo até você parar de tremer, até ver desabrochar um alegre sorriso em seus lábios exangues.
E lembra que eu corria mais que você e que, juntos, fazíamos do meu pequeno carro o nosso ninho de amor: vidros embaçados e aquecimento ligado para não ficarmos congelados?
Sensação estranha, Esther, mas nas minhas lembranças aquela neve não era tão fria e gélida como a neve de hoje…
E como era linda a nossa primavera, passada entre margaridas e violetas, deitados nos prados, trocando promessas de eterno amor à sombra daquele antigo castelo… Lembra?
Lembra de como as andorinhas traspassavam rápidas o céu descendo perto de nós, curiosas e até invejosas dos inúmeros beijos que costumávamos nos dar?
E aquela pizza medíocre que a gente comprava, por acaso não era a mais deliciosa do mundo?
E lembra de como eu a cortava em pequenos pedaços pondo-os diretamente na sua boca, dizendo que eu, passarinho maior, tinha o dever de alimentar a minha pequena e adorada andorinha?
Mas era no verão que o nosso amor alcançava o clímax.
Recorda de como chegava na minha casa quase febril pelo intenso calor e de como eu, entre mil e um carinho, a despia vagarosamente deixando-a quase nua?
E lembra de como, brincando de sultão e odalisca, agrilhoava seus tornozelos e você agradecia e ria devido o ferro refrescar a sua pele? Você me entregava o seu corpo e eu, em troca, lhe doava o meu coração…
Quantas horas seguidas passamos trocando beijos, carícias, pequenas mordidas, gemidos, sussurros de amor antes de fazer amor de verdade?
Lembra quantas vezes você pedia mais prazer, consciente que a vida é curta e a juventude passa rápidamente?
Eu eu lhe dava sempre muito mais do que me pedia desejando unicamente vê-la cheia de alegria e de felicidade, pois a sua felicidade era também a minha…
E como era delicioso, depois, tomar banho juntos, eu passando a espuma em cada canto do seu corpo, massageando seus cabelos, cariciando suas costas, acarinhando-a longamente até você estremecer e vibrar harmoniosamente como as cordas de um violino nas mãos de um musicista bem experiente!
Quantos maravilhosos fins de semana passamos juntos assim?
Tem noção de quantos e quantos anos continuei sonhando com você, Esther?
E agora, que quase toda a minha vida já passou, o que me resta se não a ilusão desse belo e invivido sonho de amor?
Um sonho que nunca se concretizou porque você, Esther, nunca foi real; você existiu apenas em meus devaneios, na minha fantasia de amante insone à espera de uma amada que jamais chegou…
E agora, querida, confesso que estou com medo da morte.
Não da morte em si que, afinal, para mim seria uma libertação, mas do que irá acontecer depois, com a minha alma.
Pois, como você sabe, a alma de quem amou e foi amado durante a sua vida terrena (mesmo que por uma única vez) poderá reviver infinitas vezes aquela lembrança gravada na sua memória espiritual, e assim será eternamente feliz em companhia da pessoa amada.
Mas a alma de quem nunca viveu um grande amor irá vagar -espectro noturno- por plagas úmidas e desoladas gemendo e clamando em vão por um amor que nunca mais poderá obter.
E o sofrimento, prolongamento do sofrimento presente, jamais terá fim: esse é o destino que me espera!
Realmente é breve o tempo que me resta: por favor, Esther, não demore mais…
(Poeta de Marte)