Eu não faço vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.

Scarlet



terça-feira, 31 de agosto de 2010

RECEITA PRA FICAR LINDA



Como o assunto é beleza, eu não poderia deixar de postar novamente esse video. Haushaushaushauhahahahaaaaaa!!!
Nara

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

RECEITA DE MULHER

As muito feias que me perdoem 
Mas beleza é fundamental. É preciso 
Que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture 
Em tudo isso (ou então 
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa). 
Não há meio-termo possível. É preciso 
Qu tudo isso seja belo. É preciso que súbito 
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto 
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora. 
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche 
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso 
Que tudo seja belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas 
Lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços 
Alguma coisa além da carne: que se os toque 
Como ao âmbar de uma tarde. Ah, deixai-e dizer-vos 
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro 
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e 
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem 
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então 
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca 
Fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência. 
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos 
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas 
No enlaçar de uma cintura semovente. 
Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras 
É como um rio sem pontes. Indispensável 
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida 
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios 
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca 
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas. 
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral 
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal! 
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas 
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem 
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. 
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio 
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!) 
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos 
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão 
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre 
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos 
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face 
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior 
A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras 
Do 1° grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes 
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e 
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão 
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta 
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros. 
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos 
Ao abri-los ela não mais estará presente 
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá 
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber 
O fel da dúvida. Oh, sobretudo 
Que ele não perca nunca, não importa em que mundo 
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade 
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma 
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre 
O impossível perfume; e destile sempre 
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto 
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina 
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição 
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.


                                                                            Vinícius de Moraes












Esse poema de exaltação a beleza feminina tornou-se, injustamente, pela crueldade de mentes ignorantes e machistas. Em um slogan a favor ao culto a beleza fútil  depreciando as mulheres ditas "feias".
Não existe mulher feia, existe mulher que se gosta pouco e por isso não se cuida embaçando assim, a sua graça.
A partir de hoje é com isso que vou trabalhar... Beleza. E por favor,não confundam com culto a perfeição o que eu vou fazer. Pois o que estarei buscando despertar em cada uma, é a beleza que toda mulher possui... Cada uma a seu modo.
Pois que venha o BELO!
Nara

domingo, 29 de agosto de 2010

LINDA...












 e solitária,
                        
                  como eu...


Eu estava aqui viajando pelo meu blog e de repente esbarrei com essa fofo... Tão linda! Tão perfeita, fria, distante... Tão só.
Eu estou só. Não acho que seja uma condição temporária, falo sério. Ainda há muita vida em mim, sorrisos, esperança, desejos, projetos... Mas sinto que algo, algo bem nuclear em mim desencantou-se e está envelhecendo. Há quem diga que isso se chama maturidade, creio que estou deixando de ser menina. É uma pena. Pois a menina é a minha parte mais bonita.
Não me importo com o passar dos anos, com as rugas que ainda não tenho mas sei que virão, só não queria envelhecer por dentro.
Acorda minha menina! Quero você de volta pra mim
Nara

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever." 
(Clarice Lispector)

sábado, 28 de agosto de 2010

AGNÓSTICO

A cada dia que passa fica mais comum esbarrarmos com essa palavra quando pergunta-se qual seria a religião de alguém. Tenho visto isso com um frequência crescente não apenas em conversa entre amigos, mas também em perfis espalhados pela internet. É curioso e interessante como os até então, ditos como "não praticantes", têm se sentido à vontade para se declarem agnósticos. Como trata-se de um termo de com um significado um tanto polêmico, resolvi fazer uma breve pesquisa para melhor poder expressar minha opinião.
O que vou escrever é de cunho histórico, significa que possui uma comprovação. Mas tudo na história possui linhas não retas da verdade, e portanto, pode haver documentos atuais que corrompem o fato que apresento.







Ateus significa a negação da existência de Deus. (Ateu em grego significa - "Negação de Deus") existiam povos que não tinha crença por nenhum deus, e não eram considerados ateus e nem agnósticos, eles acreditavam numa força cósmica. Era o meio termo.
No século 16 quando aconteceu a inquisição o termo "ateu" nasceu, que foi considerado como um produto dela. Algo que almeja que ateus eram homens forçados a negar a a existência de Deus fora da Igreja.
O termo Agnóstico, em grego que significa "Ignorante", ignora provas e a existência de Deus. É aquele que fecha os olhos para provas existenciais sobre Deus. Ele acredita em algum deus que não seja aquele efetivado pela humanidade.







Alguns cientistas acreditam que a descrença em algum deus, foi resultado das torturas da inquisição.


Particularmente eu acredito que essa onda sutil, porém crescente, de agnosticismo seja devido ao sectarismo advindo do fervor religioso. É com tristeza que eu enxergo a incapacidade que percebo em muitas pessoas de variadas crenças religiosas, de administrarem a sua fé. 
Cada religião tem seus dogmas, sua ritualística. O que eu vejo com naturalidade, uma vez que a diversidade faz parte da natureza do ser humano e do planeta. O problema  que infelizmente eu observo de forma bem comum, é que cada religião demonstra ter através de boa parte de seus seguidores, a necessidade de ter seus dogmas como única verdade. Isso não seria um grande problema, se as religiões não cultivassem o hábito histórico de se imporem umas as outras. É isso que leva à intransigência e à intolerância religiosa, que ao longo da história da humanidade matou e ainda mata mais do que qualquer doença. Eu não entendo como somos capazes de fazer guerras, matar e descriminar em nome de Deus. Aonde está escrito que tais atos são legítimos? Se houver algo escrito em algum lugar, está errado. E com certeza não foi Deus quem escreveu. E se foi ele quem ditou, a mão que escreveu ou os olhos que leram deturparam as suas palavras. Uma vez que Deus, é um Deus de amor e generosidade.
Mesmo que haja países como o nosso, onde a liberdade religiosa é um direito garantido pela constituição, todos os dias a intolerância religiosa está presente entre os homens ao redor do mundo. Seja através do aço ou do preconceito velado e não menos cortante. Que fere através de palavras, olhares e comentários maliciosos... Tudo tendo Deus como justificativa.
Isso me entristece porque eu queria ter uma religião. Mas a intolerância que observo e as vezes sinto na pele, vinda de religiosos muitas vezes fervorosos... me afasta dos templos de argamassa e tijolos. Mas felizmente, não de Deus. Pois faço do meu coração o templo onde eu o exalto todos os dias, e acolho quem quiser entrar mesmo que não entre.
Acho que sou agnóstica, mas eu não queria.
Nara

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

AMOR & SEXO

Desde que dei início a minha vida amorosa eu já fiz sexo, já pensei fazer amor, fiz amor, fiz sexo com amor e também já chupei muito dedo sem fazer amor ou sexo.
Até os meus vinte e pouquinhos anos, eu só chupava dedo mesmo, o meu dedo. Olhando agora para trás eu devo confessar que merecidamente. Eu era chatinha, tímida, vivia para estudar e fazer programas "cabeça" de vez em quando. Isso não era nada diante do fato de que eu não reconhecia a minha beleza e muito menos o  meu potencial de feminilidade. Pra mim qualquer baranga melhor arrumadinha era mais bonita do que eu. Eu acreditava piamente que eu iria morrer encalhada - se eu não tivesse mudado, eu ia mesmo! - mas graças a Deus os ventos começaram a soprar no meu litoral.
Finalmente depois dos vinte eu dei uns beijos na boca e uns amassos e descobri que eu era bonita e feminina - embora ainda eu tivesse dúvidas- mas vá lá, o fato foi que eu descobri. E assim , mudei meu guarda-roupa e comecei, porém sem exageros, a me vestir de forma que valorizasse mais as minhas curvas. O que foi o suficiente para chamar a atenção do sexo oposto. E aí eu finalmente me apaixonei.
Em meio a essa paixão eu fiz sexo pela primeira vez. Eu pensava que estava fazendo amor, na verdade eu estava, só que ele não. Foi assim durante os dois anos que ficamos juntos, eu fazia amor e ele sexo. Depois eu acabei me dando conta de que não fazia amor e nem sexo, porque nunca tive um orgasmo... Então não valeu né?
Depois desse insípido e demorado ensaio sexual, finalmente eu cheguei as vias de fato e fiz sexo. Experimentei noites , tardes, manhãs de uma "caliencia" inenarrável, cuja memória do prazer guardo até hoje. mas não foi amor, foi sexo apenas. Na sequência tive mais uns dois ou três amores ilusórios, com um dos quais eu me casei. E como ilusão não dura muito acabei me separando.
Durante e nos primeiros momentos após a separação, cheguei ao fundo do poço da auto estima e da feminilidade. Como eu já não tinha mais para onde descer, só me restava subir. E eu subi. pela primeira vez na vida eu me senti mulher na minha plenitude. E não sei se por coincidência ou se o meu momento me levou para isso, eu descobri o amor. Amor de fato e recíproco, romântico, cheio de bem querer e desejo. Do tipo que faz agente rejuvenescer dez anos no mínimo. E foi assim que depois dos quarenta, eu fiz amor pela primeira vez na vida.
Eu só não sabia que amor contaminava e que qualidade vicia. Porque agora eu sei a diferença entre fazer amor e fazer sexo. E quer saber? Agora só quero se for junto.  
Nara

ALEGRIA

Eu tenho vários assuntos dos quais eu gostaria de falar, mas hoje uma luz de esperança brilha tão forte em mim que eu não posso falar de outra coisa a não ser alegria. "I am full of joy!"- Eu adoro essa palavra, joy - pois é, estou repleta de alegria.
Tenho falado de transição e do fantasma da esperança que insiste em bater na minha porta cheio de perspectiva, sabe lá Deus porque. pelo menos eu pensei que era fantasma, mas não, é real!
Isso me levou a refletir e a acordar para o fato de que nós - falo de nós mulheres maduras que por anos levamos uma vida dedicada a cuidar dos que estão ao nosso redor- voltando... Nós nos acostumamos tanto a colher migalhas que deixamos de acreditar que merecemos uma fatia do bolo igual a todo mundo. Aí então, tudo fica escuro adiante e nos tornamos cativas, acorrentadas aos grilhões da nossa própria descrença... Da falta de fé em nós mesmas. E quando isso acontece, vivemos a ilusão de não sermos capazes de ser alguém. Mas como eu disse isso é mera ilusão, pois somos alguém! Nascemos assim como todo mundo... Alguém. eu acho engraçado quando ouço as pessoas dizerem: - Fulano quer ser alguém na vida.
Agente é alguém desde a hora que nasce. O que acontece as vezes é que nos esquecemos disso, pior, deixamos os outros acreditarem e por consequência nos tratarem como se não fossemos.
Mas deixa isso pra lá! hoje o sol nasceu pra mim e eu sinto cheiro de mar mesmo estando a quilômetros de distancia. Então me dá licença, vou atender a porta...
- É o sol!
- Olha já vou indo, tenho que abrir a porta. Melhor, portas e janelas! Beijo, Bom dia. Fuiiii!

Nara

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

HOJE

O dia de hoje começou como todos os outros dias. E nada indicava que seria em algum momento, diferente dos outros que o antecederam. Mas durante a tarde, esse dia tão normal desvendou um leque de possibilidaes diante de mim. A perspectiva de um futuro melhor que antes era apenas um desejo, agora tornava -se real.
Estou esperançosa e feliz. Começo ver as peças do quebra cabeças de encaixarem. e o investimento pessoal que fiz em mim finalmente terem significado e um propósito que estava oculto.
Sinto que em breve tudo estará bem. Minha independência como mulher e cidadã do mundo se aproxima. Aleluia!
Vocês não devem estar entendo nada. Mas em breve... Em breve...
Estou Feliz!
Nara

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CINE VENEZA



Cine Veneza inaugurado em 1963 na Av Paster aqui no Rio de Janeiro. Há quem diga que é Botafogo outros, Urca -eu fico com Botafogo- Foi um dos mais importantes cinemas da cidade do Rio de Janeiro durante as décadas de 70 e 80. Fechou suas portas em 1993, quando deu lugar a um bingo. Hoje reformado, Abriga o Centro Cultural veneza.
Foi nesse patrimônio da história cultural do Rio, em que se deu um dos vários episódios tragicômicos da minha vida.
Lá estava eu, em 1985 nos meus jovens anos de vida. Naquela fase complicada em que deixamos de ser adolescentes ou somos quase adultos. Quando descobrimos a maravilhosa comunhão de amor e sexo - eu sei que hoje está tudo mais precoce, mas não vem ao caso - Voltando... Lá estava eu. Naquela época eu havia descoberto o meu primeiro amor de carne e osso (  bem mais carne que osso ). E como todo marinheiro de primeira viajem me encantei, fiquei em êxtase e me apaixonei. O que me deixou cega a evidencia de que aquele relacionamento não tinha futuro. Resultado? Pé na bunda.
Sabe aquele pé na bunda tão bem dado que agente fica com a marca da sola do sapato nas duas nádegas? Foi desse jeito! Eu fiquei no bagaço, completamente arrasada emocionalmente. Tanto, que minha mãe que naquela época era "executiva de fronteira", resolveu na tentativa de levantar meu astral me levar com ela para  uma negócios. Para o azar dela eu diria, Pois eu fui e voltei chorando do Rio ao Paraguai e agente estava viajando de onibus, vocês acreditam? Ela me olhava com uma cara que eu não sabia se estava com ódio ou pena de mim.
Como deu pra perceber,a viajem não adiantou muito. dias depois de voltar eu ainda era pura tristeza e desolamento. Foi então que minha melhor amiga resolveu me levar ao cinema. Eu estava tão apática que deixei a critério dela  escolher o filme.
Na hora marcada ela chegou lá em casa. Eu já estava arrumada, coloquei uma roupa bonita, passei batom... Eu realmente estava disposta a tentar me divertir um pouco. Quando entrei no carro começamos logo a conversar, eu procurava manter o bom humor e até esbocei algumas gargalhadas. Virgínia é uma pessoa animada e uma das suas características mais marcantes é o sorriso largo seguido de sonora gargalhada.
Estávamos tão animadas que só percebi onde íamos quando lá cheguei. Estávamos em frente ao Cine Veneza, e o filme em cartaz era nada mais nada menos que "A cor Púrpura" com Woopi Goldberg e Ophra Winfrey ( antes de de ficar milionária e bonitona).
Virgínia não poderia ter sido mais infeliz na escolha do filme. Na verdade eu acho que ela nem sabia do que o filme se tratava. para quem não sabe, vou tentar resumir em pouca palavras: Celie - personagem da Woopi - é orfã, feia, é estuprada, cuspida, casa com um homem pior que o diabo, espancada, separada da única irmã e dos filhos, além de ser tratada pior que cachorro pelos enteados. Ela é tão maltratada que sua melhor amiga fica sendo a amante do marido. Um filme perfeito pra quem está deprimido né? rs
Eu comecei a chorar logo nas primeiras cenas. Mas nessa cena aí em cima entrei em prantos, num chorar convulsivante, praticamente um escândalo! uma cena pra lá de tosca.
Minha amiga ao invés de me tirar dali, ou pelo menos disfarçar ver o filme. Olhou pra minha cara e caiu na gargalhada, riu de mim até terminar o filme. Quando terminou, eu havia chorado tanto que meus olhos ficaram tão inchados que quase não se abriam. Nunca fiquei tão aliviada por um filme terminar!
O bom disso, foi que a cena foi tão ridícula que ao sair eu ri de mim mesma. E no final tudo ficou bem... Eu voltei a sorrir.
Eu não sei se por trauma, mas depois de "A Cor Púrpura" fiquei um tempão sem voltar ao Veneza. Depois desse filme, o próximo que me lembro ter assistido naquele cinema  foi "A Sociedade dos Poetas Mortos", uns quatro anos mais tarde. Que apesar de também ser um drama, era uma exaltação ao "carpe diem" que aliás,passou a fazer parte do meu vocabulário ... E porque não? Aproveitem não só os bons mas todos os dias,porque até as memórias trágicas com o passar dos anos farão parte das boas memórias do passado.
                                                                                                      Nara

NADA SE COMPARA A VOCÊ

"Não sou alegre nem sou triste, sou poeta..."

UM MOTIVO APENAS...


"Eu canto porque o instante existe.
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada."
                         (MOTIVO - Cecília Meireles)



 Hoje vivo do momento, do agora. Não me prendo ao passado pois não sei como podem as coisas que ficaram para trás me trazerem alegria. As ruins me trazem lembranças tristes  e as boas melancolia por não tê-las no meu agora. Um agora em que tenho um pouco que de tão pouco, não sei dizer se é bom ou ruim.
 Creio que eu esteja me tornando básica. Sim, básica... seguro na mão de pequeninos sonhos sem me importar com a probabilidade, para amanhecer e caminhar através do novo dia. 
A incerteza é como a noite escura a nos negar a perspectiva do amanhecer. Enquanto isso, a esperança é a tênue luz que me guia.
                              
                                          Nara

terça-feira, 24 de agosto de 2010

SETE CANTIGAS PARA VOAR...



Na década de 80 nós aqui do sul - como diz os lá da "Terrinha"- descobrimos a música do Nordeste.
Nomes como Zé Ramalho, Elba Ramalho, Elomar, Xanguai, Geraldo Azevedo, Alceu entre tantos outros grandes nomes do Nordeste, passaram a fazer parte da nossa vida aqui mais ao sul da linha do equador.
Uma vez lembro de ainda adolescente assistir Elba cantando 'Geni e o Zepelin" em um show do projeto Seis e meia... Nunca conseguir essa gravação -o que é uma pena!- Pois foi a mais linda interpretação dessa música que eu já ouvi!
Como não tenho a "Geni" na voz de Elba, deixo aqui a não menos encantadora interpretação de "Sete Cantigas para Voar", música de Vital Farias...
Boa Viajem!
Nara

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

nova estação_Elis Regina





Sempre adorei essa música, tem o frescor da esperança muito bem defendido na voz de Elis.
Músicas tem a capacidade de nos fazer sonhar, de nos fazer por alguns minutos pertencer a uma dimensão diferente daquela onde travamos nossas batalhas pessoais. Então porque não nos beneficiarmos dessa magia?
Nara

Elis Regina - "Águas de Março" - Ensaio - MPB Especial


"É pau, é pedra. É o fim do caminho, é o resto de toco, é um pouco sozinho...
É o fundo do poço, é o fim do caminho. No rosto o desgosto, é um pouco sozinho.
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã. É um resto de mato, na luz da manhã..


São as águas de março fechando o verão. É a promessa de vida no teu coração."


(Tom Jobim)

sábado, 21 de agosto de 2010

VALSANDO ENTRE MEMÓRIAS

Creio que ainda não comentei aqui. Mas tenho uma página em um site literário onde posto com certa regularidade e mantenho contato com outros autores. Pois bem, há alguns dias recebi um email de um autor muito querido, em que ele convidava aos amigos a lerem sua mais recente postagem. Um texto que intitula-se “Lembrando De Um Grande Amor”.
Já nas primeiras linhas minha atenção foi capturada pela cadencia das palavras e a suavidade romântica com que se desenrolavam ao longo daquelas linhas. E assim aos poucos, depois em catadupas, fui mergulhando até me encontrar absorvida pelas minhas próprias memórias de amor. E ao me lembrar do amor, senti saudades e desejei amar novamente.
Saudades de uma amor que chegou na hora precisa e partiu precocemente com seus lábios trêmulos a me dizer “Eu te amo”, para ganhar assim, o seu lugar na eternidade. Enquanto eu jazendo em involuntário luto, rendia e ainda rendo todos os dias , homenagem a sua memória mantendo-me casta no pensamento e na carne a contemplar com um sorriso de ternas saudades, as marcas desse amor em mim.
Aquela leitura me levou a lágrimas intrínsecas que por fim, externaram -se nos meus olhos. Foi então que percebi que meu luto chegava ao fim. Pois ao lado e no lugar ao mesmo tempo, percebi a saudade do amor contraditoriamente a sua permanência, transmutar-se em saudade de amar. Sei que é uma descrição confusa e complexa para uma sensação simples e natural, tão natural quanto amar. Mas foi o que aconteceu em mim.
Senti saudades de acordar todas as manhãs não apenas por mim, mas também pelo outro. Saudades de me sentir feliz e plena com coisas pequenas e simples. Saudades de me sentir grande apenas por receber um sorriso... Saudades de me sentir em êxtase vivendo coisas simples e rotineiras.
Ah, meu Querido! Descanse em paz por nós dois e felicite-se pelo sublime amor com que você me contaminou de forma irremediável. Agora mesmo sem você, não vivo sem amar.
Boa Noite Meu Bem!
Eu sigo...

Nara

Dedico essas palavras ao poeta de terras distantes. E deixo agora com vocês, uma de suas obras
Apresento-lhes o Poeta de Marte...


LEMBRANDO UM GRANDE AMOR


E você, Esther, ainda se lembra do nosso amor?

Ainda lembra daquelas tardes de inverno quando, para chegar mais rápida ao meu encontro, pisava perigosamente no acelerador de seu carro e eu ficava angustiado temendo que sofresse um acidente derrapando no asfalto molhado de neve?
Mentalmente acompanhava todo o seu percurso, a partir do momento em que ligava o motor, até a sua chegada, imaginando cada curva, cada cruzamento e ficando sossegado somente quando ouvia o seu carro estacionar debaixo das janelas da minha casa.
Insidiosa, mas bendita aquela neve: você tremia de frio e eu lhe abraçava mais forte que podia esquentando-a com o meu corpo até você parar de tremer, até ver desabrochar um alegre sorriso em seus lábios exangues.
E lembra que eu corria mais que você e que, juntos, fazíamos do meu pequeno carro o nosso ninho de amor: vidros embaçados e aquecimento ligado para não ficarmos congelados?
Sensação estranha, Esther, mas nas minhas lembranças aquela neve não era tão fria e gélida como a neve de hoje…

E como era linda a nossa primavera, passada entre margaridas e violetas, deitados nos prados, trocando promessas de eterno amor à sombra daquele antigo castelo… Lembra?
Lembra de como as andorinhas traspassavam rápidas o céu descendo perto de nós, curiosas e até invejosas dos inúmeros beijos que costumávamos nos dar?
E aquela pizza medíocre que a gente comprava, por acaso não era a mais deliciosa do mundo?
E lembra de como eu a cortava em pequenos pedaços pondo-os diretamente na sua boca, dizendo que eu, passarinho maior, tinha o dever de alimentar a minha pequena e adorada andorinha?

Mas era no verão que o nosso amor alcançava o clímax.
Recorda de como chegava na minha casa quase febril pelo intenso calor e de como eu, entre mil e um carinho, a despia vagarosamente deixando-a quase nua?
E lembra de como, brincando de sultão e odalisca, agrilhoava seus tornozelos e você agradecia e ria devido o ferro refrescar a sua pele? Você me entregava o seu corpo e eu, em troca, lhe doava o meu coração…
Quantas horas seguidas passamos trocando beijos, carícias, pequenas mordidas, gemidos, sussurros de amor antes de fazer amor de verdade?
Lembra quantas vezes você pedia mais prazer, consciente que a vida é curta e a juventude passa rápidamente?
Eu eu lhe dava sempre muito mais do que me pedia desejando unicamente vê-la cheia de alegria e de felicidade, pois a sua felicidade era também a minha…

E como era delicioso, depois, tomar banho juntos, eu passando a espuma em cada canto do seu corpo, massageando seus cabelos, cariciando suas costas, acarinhando-a longamente até você estremecer e vibrar harmoniosamente como as cordas de um violino nas mãos de um musicista bem experiente!
Quantos maravilhosos fins de semana passamos juntos assim?

Tem noção de quantos e quantos anos continuei sonhando com você, Esther?

E agora, que quase toda a minha vida já passou, o que me resta se não a ilusão desse belo e invivido sonho de amor?
Um sonho que nunca se concretizou porque você, Esther, nunca foi real; você existiu apenas em meus devaneios, na minha fantasia de amante insone à espera de uma amada que jamais chegou…

E agora, querida, confesso que estou com medo da morte.
Não da morte em si que, afinal, para mim seria uma libertação, mas do que irá acontecer depois, com a minha alma.
Pois, como você sabe, a alma de quem amou e foi amado durante a sua vida terrena (mesmo que por uma única vez) poderá reviver infinitas vezes aquela lembrança gravada na sua memória espiritual, e assim será eternamente feliz em companhia da pessoa amada.

Mas a alma de quem nunca viveu um grande amor irá vagar -espectro noturno- por plagas úmidas e desoladas gemendo e clamando em vão por um amor que nunca mais poderá obter.
E o sofrimento, prolongamento do sofrimento presente, jamais terá fim: esse é o destino que me espera!

Realmente é breve o tempo que me resta: por favor, Esther, não demore mais…
                                                             (Poeta de Marte)

Yo-Yo Ma &Bobby McFerrin


Silêncio bebezinho, não diga uma palavra.
Papai vai te comprar um passarinho.

Se o passarinho não cantar,
Papai vai te comprar um anel de diamantes.

Se o anel de diamantes se transformar em bronze,
Papai vai te comprar um espelho.

Se o espelho se quebrar,
Papai vai te comprar um bolo de chocolate.

E quando você comer o bolo,
Papai vai te comprar um cachorrinho.

Se o cachorrinho não latir,
papai vai te comprar uma charrete.

Se a charrete se quebrar...

... Ah bebezinho não chora!
Papai vai te cantar uma canção de ninar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PRIMAVERA / OUTONO



Minha vida nos últimos dias tem andado uma loucura, muitas coisas para fazer. Consegui alcançar minha meta em algumas, mas não todas, o tempo é curto e inversamente proporcional a tudo que tenho para resolver.
Em meio a essa agitação cotidiana percebi certas coisas interessantes não só a meu respeito, como a respeito da vida. Uma delas é a real contatação que já não sou mesmo, na íntegra,aquela pessoa de antes. É! a pessoa que fui por muitos anos.
Uma das minhas características mais evidentes é a emotividade. Apesar de possuir um lado bastante racional, em contradição a ele também possuo a emoção que exige o seu lugar a flor da pele - o que é uma faca de dois gumes - pois ao mesmo ao tempo que me confere uma rara sensibilidade, me é motivo de grande estado de stress quando em momentos como o de agora, tenho várias decisões a tomar.
Mas para minha surpresa, me vejo assim, calma. Soluções continuo a encontrar, porém, de forma muito mais amena. Talvez eu tenha aprendido a respeitar o tempo das coisas, a abraçar meu mundo inteiro de uma só vez mas destrinchá-lo passo a passo.
Por momentos pensei que se tratava de apatia. temi que eu estivesse me rendendo aos percalços da vida. Mas pensando melhor, concluí que se trata de amadurecimento. Eu que sempre fui tão menina, agora nos "enta" da minha vida, me percebo amadurecer.
-Será que estou ficando velha?
-Acho que não. Estou apenas virando gente grande.  
Nara


a

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FÊNIX




"Toda mulher é muito solitária. O importante é encontrar um desvio na trilha da solidão para não entristecer na vida."                       (Lilia Cabral)

...Essa trilha está no virar da página para um novo recomeço.Toda mulher é  uma Fênix que trás dentro de suas células o pulsar de uma nova vida
Nara


Faz algum tempo que eu venho falando em recomeço, em libertação das memórias passadas e  da manutenção das pessoas que nos amam na nova estrada. Pois é... chegou a hora!
Não de me render ao destino, mas de fazê-lo germinar com as boas semente que tenho ao meu alcance, cultivando com todo carinho e com o melhor que tenho em mim.
Tem pessoas que gostam tanto de nós e ficam ao nosso lado com tanta naturalidade que não as notamos como deveriam ser notadas. Está na hora de olhar não para trás ou sonhar com um adiante de suposições. É hora de olhar para o lado do nosso coração , é ali que ficam muitas vezes em silêncio, aqueles que nos amam. Nos dando forças nas horas difíceis e se alegrando com as nossas alegrias, mesmo que essas nós leve para longe.

"É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor...
Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade..."
(Renato Russo)

É  força da Fênix me mostrando o caminho...
Nara