"Eu nunca vi um animal selvagem sentir pena de si mesmo. Um pássaro cairá morto de seu galho se sentir pena de si mesmo." (D.H. Lawrence)
Eu cansei de me lamentar, cansei de aumentar a importância dos meus problemas com a minha conduta. Cansei de sentir pena de mim mesma.Cansei de sentir raiva daqueles que me fizeram mal e da mesma forma cansei de me preocupar com eles. Que vivam suas vidas medíocres ou não... Porque não é da minha conta.
É hora de me levantar de uma vez por todas e de me preocupar comigo e com os meus.
Eu não tenho medo, não sinto frio, sede ou fome... Tudo que sinto é amor, orgulho de quem sou, força e determinação... A vontade de vencer!
Se a fé não remover montanhas... Removo eu.
Nara
Eu não faço vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.
Scarlet
Scarlet
quarta-feira, 30 de junho de 2010
RAÇA
Eu nunca estou só!
Eu, além de mim mesma, sou todos os que vieram antes de mim... Eu sou os meus ancestrais! É a sabedoria, a honra e a força de todos eles que estão vivas em mim além da minha própria que, com a permissão de Deus Nosso Senhor... Irão me garantir a vitória.
Nara
"É A MINHA FORÇA, É A NOSSA ENERGIA QUE VEM DE LONGE PRA ME FAZER COMPANHIA."
COMO DEUS É MINHA TESTEMUNHA...
"Como Deus é minha testemunha eu juro, eles não vão me aniquilar! Eu vou sobreviver a isso.
E quando tudo isso acabar, eu nunca mais vou passar fome de novo...Nem eu nem qualquer um da minha família! Nem que eu tenha que mentir, roubar, enganar ou matar. Como Deus é minha testemunha, eu nunca mais vou passar fome novamente. "
( Scarlet O'Hara em O Vento Levou)
terça-feira, 29 de junho de 2010
Vento No Litoral - Legiao urbana
"... Já que voce não está aqui, o que eu posso fazer é cuidar de mim. Quero ser feliz ao menos, lembra que o plano era ficarmos bem... Olha só o que eu achei!..."
LUZ DO FIM DO TUNEL
Tenho andado meio ausente dessas páginas mas agora estou de volta.
os dias tem sido meio complicados cheios de coisas para serem superadas,mas aprendi a duras penas que o melhor a se fazer quando se tem muita coisa para resolver... É resolver uma de cada vez e usarmos nossa energia com as que dentre elas podem ser revolvidas. E assim eu ativei o meu lado Scarlet O'hara de ser... Amanhã eu penso nisso. Pois amanhã é outro dia!
Estou com problemas em todas as esferas da minha vida: Emocionais, financeiros, profissionais,familiares... Tenho andado faz tempo acima do meu limite e agora me vejo exausta e sem energia. E agora no fundo do poço, conclui que se tudo está dependendo de mim... Então tenho que cuidar de mim. Pois se eu estiver bem, poderei cuidar de todo o resto... cuidarei melhor da casa e das crianças, terei mas destreza e discernimento para administrar o financeiro e também gerar recursos. enfim, se eu estiver bem, tudo irá melhor.
Conclusão: A luz no fim do túnel... SOU EU
NARA
"De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem..."
(Vento no Litoral / Renato Russo)
os dias tem sido meio complicados cheios de coisas para serem superadas,mas aprendi a duras penas que o melhor a se fazer quando se tem muita coisa para resolver... É resolver uma de cada vez e usarmos nossa energia com as que dentre elas podem ser revolvidas. E assim eu ativei o meu lado Scarlet O'hara de ser... Amanhã eu penso nisso. Pois amanhã é outro dia!
Estou com problemas em todas as esferas da minha vida: Emocionais, financeiros, profissionais,familiares... Tenho andado faz tempo acima do meu limite e agora me vejo exausta e sem energia. E agora no fundo do poço, conclui que se tudo está dependendo de mim... Então tenho que cuidar de mim. Pois se eu estiver bem, poderei cuidar de todo o resto... cuidarei melhor da casa e das crianças, terei mas destreza e discernimento para administrar o financeiro e também gerar recursos. enfim, se eu estiver bem, tudo irá melhor.
Conclusão: A luz no fim do túnel... SOU EU
NARA
"De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
Agora está tão longe
ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mimQuero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem..."
(Vento no Litoral / Renato Russo)
domingo, 20 de junho de 2010
A FÍSICA DOS RELACIONAMENTOS
Ultimamente tenho repensado toda minha vida. Meus sentimentos, meus relacionamentos... Tudo.
E com isso eu percebi que se tivessem prestado mais atenção em mim quando ainda criança, minha vida teria sido muito diferente. Desde pequena procuro um lugar para pertencer, eu me sinto solta na vida. E como conseqüência, eu acabei fazendo péssimas escolhas. Aceitei qualquer coisa que me desse a sensação de pertencer a algum lugar. Contentei-me com pouco, e acabei não construindo nenhum lugar pra mim, por isso essa solidão
Por me sentir assim, eu passei por quase toda a minha vida procurando um lugar para pertencer. E por causa disso escolhi muito mal minhas parcerias, pois me contentava com migalhas, com pessoas que muito pouco ou nada tinham pra me oferecer.
Quando agente se encontra nessa condição, normalmente ocorre um desequilíbrio muito importante: Nós nos acostumamos a relevar excessivamente e a calarmos quando chega a hora de comunicarmos nossas necessidades... Principalmente as emocionais. Nós nos sentimos culpados ao expor-mos nossas vontades, é como se estivéssemos roubando algo de alguém ou sendo injustos e exigentes. O resultado é que acabamos tendo o nosso “EU” cada vez mais oprimido, podendo até mesmo ser anulado. Nos tornamos pessoas "convenientes", os outros abusam de nós sem medida. E aquela sensação de invisibilidade aumenta, instalando um círculo vicioso que nos massacra emocionalmente, nos tornando cada vez mais infelizes.
É importante que eu diga que depois de décadas vivendo dessa forma eu percebi uma coisa muito importante e igualmente reveladora. É fundamental que seja dado “a Cesar o que é de Cesar”, como também muito justo. Muitas pessoas abusam de nós e elas têm a culpa que lhes cabe. Porque todos nós sempre temos a opção de fazer ou não alguma coisa. Todos nós temos, mesmo que não a princípio, a consciência de estarmos fazendo mal a alguém. E se após essa consciência, imediata ou não, persistimos no ato... É porque, de alguma forma é conveniente. Isso é um fato, porém, não o único. O outro, e o mais importante creio eu, é o seguinte: Nós permitimos! Sim, nós permitimos. Quando ultrapassam o nosso limite de tolerância seja material, moral, emocional ou qualquer outro que seja. O fazem porque NÓS permitimos. E se continuam a ultrapassar os limites, é porque nós insistimos em permitir. Tudo bem que temos dificuldade por algum bloqueio emocional, mas não muda o fato de que NÓS permitimos. E o primeiro passo para mudarmos essa situação, é pararmos de justificar essa permissividade com as nossas impossibilidades e lutarmos para transformá-las em possibilidades.
Isso nada mais é que física, um transporte passivo e inevitável onde a substancia passa do meio de maior para o de menor concentração até que o equilíbrio seja estabelecido. E dessa forma, toda vez que deixamos um espaço vazio alguém ocupa. E quando esse espaço é dentro de nós, essa ocupação pode acontecer de forma avassaladora que muitas das vezes não gera qualquer equilíbrio. Esse sentimento de “cidadão de lugar nenhum” é improcedente. Todos pertencermos ao lugar que conquistamos, e principalmente, pertencemos a nós mesmos.
E com isso eu percebi que se tivessem prestado mais atenção em mim quando ainda criança, minha vida teria sido muito diferente. Desde pequena procuro um lugar para pertencer, eu me sinto solta na vida. E como conseqüência, eu acabei fazendo péssimas escolhas. Aceitei qualquer coisa que me desse a sensação de pertencer a algum lugar. Contentei-me com pouco, e acabei não construindo nenhum lugar pra mim, por isso essa solidão
Por me sentir assim, eu passei por quase toda a minha vida procurando um lugar para pertencer. E por causa disso escolhi muito mal minhas parcerias, pois me contentava com migalhas, com pessoas que muito pouco ou nada tinham pra me oferecer.
Quando agente se encontra nessa condição, normalmente ocorre um desequilíbrio muito importante: Nós nos acostumamos a relevar excessivamente e a calarmos quando chega a hora de comunicarmos nossas necessidades... Principalmente as emocionais. Nós nos sentimos culpados ao expor-mos nossas vontades, é como se estivéssemos roubando algo de alguém ou sendo injustos e exigentes. O resultado é que acabamos tendo o nosso “EU” cada vez mais oprimido, podendo até mesmo ser anulado. Nos tornamos pessoas "convenientes", os outros abusam de nós sem medida. E aquela sensação de invisibilidade aumenta, instalando um círculo vicioso que nos massacra emocionalmente, nos tornando cada vez mais infelizes.
É importante que eu diga que depois de décadas vivendo dessa forma eu percebi uma coisa muito importante e igualmente reveladora. É fundamental que seja dado “a Cesar o que é de Cesar”, como também muito justo. Muitas pessoas abusam de nós e elas têm a culpa que lhes cabe. Porque todos nós sempre temos a opção de fazer ou não alguma coisa. Todos nós temos, mesmo que não a princípio, a consciência de estarmos fazendo mal a alguém. E se após essa consciência, imediata ou não, persistimos no ato... É porque, de alguma forma é conveniente. Isso é um fato, porém, não o único. O outro, e o mais importante creio eu, é o seguinte: Nós permitimos! Sim, nós permitimos. Quando ultrapassam o nosso limite de tolerância seja material, moral, emocional ou qualquer outro que seja. O fazem porque NÓS permitimos. E se continuam a ultrapassar os limites, é porque nós insistimos em permitir. Tudo bem que temos dificuldade por algum bloqueio emocional, mas não muda o fato de que NÓS permitimos. E o primeiro passo para mudarmos essa situação, é pararmos de justificar essa permissividade com as nossas impossibilidades e lutarmos para transformá-las em possibilidades.
Isso nada mais é que física, um transporte passivo e inevitável onde a substancia passa do meio de maior para o de menor concentração até que o equilíbrio seja estabelecido. E dessa forma, toda vez que deixamos um espaço vazio alguém ocupa. E quando esse espaço é dentro de nós, essa ocupação pode acontecer de forma avassaladora que muitas das vezes não gera qualquer equilíbrio. Esse sentimento de “cidadão de lugar nenhum” é improcedente. Todos pertencermos ao lugar que conquistamos, e principalmente, pertencemos a nós mesmos.
*Solidão é um estado de espírito. Só estamos realmente sós quando assim nos sentimos.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
INSONIA
Hoje passei um dia razoável, até pensei que conseguiria dormir, mas eu acho que me enganei. Essa é a terceira noite consecutiva em que eu não durmo. Durante esses últimos quatro dias eu acho que não consegui dormir nem dez horas. Passo quase todasas noites em claro e durante o dia também não tenho sono. por quanto tempo vou continuar assim? Eu quero dormir , eu quero descansar!
EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA
Minha família é muito animada e eu guardo na memória a lembrança de várias reuniões de família que mais pareciam grandes festas.
Quando eu era pequenina, a família costumava se reunir na casa de uma tia que morava perto lá de casa. As festas eram sempre bem animadas, eu me divertia muito. Normalmente eu ia com a mamãe porque meu pai viajava muito a serviço, na verdade viajava o tempo todo ele era marítimo. As festas eram quase sempre igual muita comida, refrigerantes e a famosa cervejinha para os adultos. E como não podia deixar de ser, havia muita brincadeira... Enfim, eram reuniões iguais as que aconteciam em qualquer família. Mas algumas ficaram marcadas em mim, como essa que vou contar agora.
Pelo que eu me lembro eu era ainda bem nova, acho que tinha entre sete ou nove anos no máximo. Então, numa certa noite a família se reuniu na casa da minha tia. para comemorar sei lá o que. Tudo corria normalmente: adultos falando alto e brincando um com os outros. As mulheres fazendo e servindo salgadinhos, conversando sobre a vida. E nós as crianças, corríamos pela casa e pelo quintal numa algazarra só.
Eu como sempre estava muito animada e brincava pra valer. Em todas as festas eu brincava o máximo que eu podia, porque meu irmão era quase dez anos mais velho do que eu, e obviamente não tinha saco pra brincar comigo. Então, na maior parte do tempo ficávamos eu e minha mãe em casa, e como não poderia deixar de ser, eu brincava sozinha. Então eu aproveitava mesmo! Brincava de me acabar.
Naquela noite entre outras brincadeiras, eu e os meus primos que lá estavam, resolvemos brincar de pique esconde. e eu por ter a malicia de quem brinca sempre só, logo fui pega e o pique ficou comigo e agora, para o meu azar, eu teria que achar todo mundo.
Todos se esconderam muito bem, e eu já estava ficando cansada de procurar quando tive a idéia de procurar na varanda. As luzes da frente da casa não estavam todas acesas, então, seria poderia ser lá o esconderijo. E pensando assim La fui eu!
Logo que cheguei ao quintal em frente à casa, pude ouvir um barulho oco seguido de um som que parecia um grito contido. Eu imaginei que poderia ser algum dos meus primos que desastradamente tivesse feito o tal barulho que denunciou o seu esconderijo. Então, pé ante pé dirigi-me rumo ao ruído para que pudesse pegar a minha presa de surpresa, e assim passar o pique para outro.
Para meu espanto, quando cheguei na varanda a cena que vi me deixou estarrecida. Não se tratava de nenhuma criança de escondendo, mas sim, de um casal que havia casado há pouco tempo. Ela era filha de dois grandes amigos de meu pai e de toda nossa família, na verdade, eram considerados como se da família fossem.
O rapaz forçava a esposa contra a parede, mas não para dar beijos como seria de se esperar num casal tão jovem. Mas para golpear a moça com socos e tapas no rosto, ao mesmo tempo em que a impedia de gritar. Eu fiquei estarrecida! E logo após o susto inicial, meu primeiro reflexo foi correr para os fundos e contar a todos o que estava acontecendo. Pronto! A confusão estava lançada.
Como se não bastasse o susto que levei ao presenciar aquela agressão, para meu espanto maior todos se voltaram contra mim. Depois de brigarem entre eles, pois os pais da moça estavam na festa, os adultos ali presentes me acusaram de semear discórdia. Eu sem nada entender enfrentei olhares rancorosos, alguns dissimulados e outros diretos e ofensivos. Por onde eu passava escutava alguém dizer por entre os dentes:
-Que menina fofoqueira!
E em pouco tempo todas as atenções se voltaram para mim, o comportamento do casal foi aparentemente esquecido e eu me tornei a principal responsável por todo aquele rebuliço.
Eu não sei se porque concordava com todos, se por pressão da família ou por ver a educação que havia dado a mim.Minha mãe como todos ali, ficou indignada e o pior estava por vir. Todos os que tiveram oportunidade me repreenderam, eu me sentia só e acuada. Pela primeira vez eu olhei para os adultos e só vi gigantes na minha frente. Eu estava muito confusa, não sabia definir se sentia verginha ou medo, acho que senti os dois. Eu não entendia nada, porque eu aprendi que não se deve bater nos outros e que não se briga em público... Papai nunca bateu na mamãe! Então porque todos estavam com raiva de mim?
Foi em meio a essa confusão que eu vi minha mãe se aproximar de mim carrancuda, seus olhos pareciam que iam soltar faíscas. Ela chegou bem perto e me olhando nos olhos disse por entre os dentes:
-Vamos embora, quando chegarmos em casa, nós vamos ter uma conversa séria!
Eu gelei de pavor! Nem força pra chorar eu tive. Mamãe nunca tinha falado assim comigo. Eu me senti a pior das pessoas e me encolhi como se quisesse me esconder dentro de mim, porque todo do lado de fora me causava medo.
Então, mamãe me pegou com firmeza pelo braço e fomos em direção a porta de saída. Se me despedi ou não, eu não me lembro. Era como se o mundo tivesse parado naquele momento, o silencio que eu ouvia era maior do que a casa, do que as ruas... O silêncio era dentro de mim.
E foi assim em silencio que caminhamos, eu e mamãe, até a nossa casa. Nós morávamos perto dali, mas a caminhada pareceu durar horas! Eu respirava com cuidado pra não fazer barulho, quem sabe mamãe não ouvia e esquecia que eu estava ali? quando chegamos em casa, mamãe abriu aporta da sala ainda em silencio, nós entramos e eu fiquei ali em pé quietinha sem saber o que me aconteceria. Mamãe sem dizer uma palavra foi para a cozinha. Eu sozinha no meu silêncio, ouvi uma gaveta abrir, o barulho dos talheres, depois o barulho da porta da geladeira... Tudo parecia em câmera lenta, como se fosse outra dimensão. De repente o silencio foi quebrado com a voz da mamãe me chamando:
-Nara vem aqui!
Eu gelei pela segunda vez. Minhas pernas travaram, tremiam... Eu não conseguia dar passos largos, era como se eu estivesse me arrastando até a cozinha. Quando lá cheguei, mamãe estava parada com uma colher e um vidro na mão, eu reconheci aquele vidro. Mamãe costumava preparar o próprio molho de pimentas, com alho, vinagre, azeite, cebolas e grandes pimentas malaguetas e deixava "curtir no vidro", como ela costumava dizer.
Bem, mamãe encheu uma boa colherada com aquele molho e me disse:
- Abre a boca! Você vai engolir essa pimenta pra aprender a nunca mais ver alguma coisa e sair falando. Nem tudo o que agente vê, agente fala!
Eu engoli a pimenta...
Mas acho que a humilhação foi maior que a queimação, porque eu não me lembro se, ou o quanto ardeu.
Eu nunca mais falei nada do que vi, creio que aprendi a lição. Mas a mulher que apanhou do marido, continuou a falar pra todos sempre que podia que eu era fofoqueira. Por várias vezes na minha frente ela alertou as pessoas para tomarem cuidado comigo. E me caluniou ao me acusar de ter contado para sua irmã mais nova que ela era adotada. E eu sequer sabia que ela era adotada!
Por conta disso os pais dela se mudaram do bairro... Eu aprendi a minha lição, e eles?
Nara
Quando eu era pequenina, a família costumava se reunir na casa de uma tia que morava perto lá de casa. As festas eram sempre bem animadas, eu me divertia muito. Normalmente eu ia com a mamãe porque meu pai viajava muito a serviço, na verdade viajava o tempo todo ele era marítimo. As festas eram quase sempre igual muita comida, refrigerantes e a famosa cervejinha para os adultos. E como não podia deixar de ser, havia muita brincadeira... Enfim, eram reuniões iguais as que aconteciam em qualquer família. Mas algumas ficaram marcadas em mim, como essa que vou contar agora.
Pelo que eu me lembro eu era ainda bem nova, acho que tinha entre sete ou nove anos no máximo. Então, numa certa noite a família se reuniu na casa da minha tia. para comemorar sei lá o que. Tudo corria normalmente: adultos falando alto e brincando um com os outros. As mulheres fazendo e servindo salgadinhos, conversando sobre a vida. E nós as crianças, corríamos pela casa e pelo quintal numa algazarra só.
Eu como sempre estava muito animada e brincava pra valer. Em todas as festas eu brincava o máximo que eu podia, porque meu irmão era quase dez anos mais velho do que eu, e obviamente não tinha saco pra brincar comigo. Então, na maior parte do tempo ficávamos eu e minha mãe em casa, e como não poderia deixar de ser, eu brincava sozinha. Então eu aproveitava mesmo! Brincava de me acabar.
Naquela noite entre outras brincadeiras, eu e os meus primos que lá estavam, resolvemos brincar de pique esconde. e eu por ter a malicia de quem brinca sempre só, logo fui pega e o pique ficou comigo e agora, para o meu azar, eu teria que achar todo mundo.
Todos se esconderam muito bem, e eu já estava ficando cansada de procurar quando tive a idéia de procurar na varanda. As luzes da frente da casa não estavam todas acesas, então, seria poderia ser lá o esconderijo. E pensando assim La fui eu!
Logo que cheguei ao quintal em frente à casa, pude ouvir um barulho oco seguido de um som que parecia um grito contido. Eu imaginei que poderia ser algum dos meus primos que desastradamente tivesse feito o tal barulho que denunciou o seu esconderijo. Então, pé ante pé dirigi-me rumo ao ruído para que pudesse pegar a minha presa de surpresa, e assim passar o pique para outro.
Para meu espanto, quando cheguei na varanda a cena que vi me deixou estarrecida. Não se tratava de nenhuma criança de escondendo, mas sim, de um casal que havia casado há pouco tempo. Ela era filha de dois grandes amigos de meu pai e de toda nossa família, na verdade, eram considerados como se da família fossem.
O rapaz forçava a esposa contra a parede, mas não para dar beijos como seria de se esperar num casal tão jovem. Mas para golpear a moça com socos e tapas no rosto, ao mesmo tempo em que a impedia de gritar. Eu fiquei estarrecida! E logo após o susto inicial, meu primeiro reflexo foi correr para os fundos e contar a todos o que estava acontecendo. Pronto! A confusão estava lançada.
Como se não bastasse o susto que levei ao presenciar aquela agressão, para meu espanto maior todos se voltaram contra mim. Depois de brigarem entre eles, pois os pais da moça estavam na festa, os adultos ali presentes me acusaram de semear discórdia. Eu sem nada entender enfrentei olhares rancorosos, alguns dissimulados e outros diretos e ofensivos. Por onde eu passava escutava alguém dizer por entre os dentes:
-Que menina fofoqueira!
E em pouco tempo todas as atenções se voltaram para mim, o comportamento do casal foi aparentemente esquecido e eu me tornei a principal responsável por todo aquele rebuliço.
Eu não sei se porque concordava com todos, se por pressão da família ou por ver a educação que havia dado a mim.Minha mãe como todos ali, ficou indignada e o pior estava por vir. Todos os que tiveram oportunidade me repreenderam, eu me sentia só e acuada. Pela primeira vez eu olhei para os adultos e só vi gigantes na minha frente. Eu estava muito confusa, não sabia definir se sentia verginha ou medo, acho que senti os dois. Eu não entendia nada, porque eu aprendi que não se deve bater nos outros e que não se briga em público... Papai nunca bateu na mamãe! Então porque todos estavam com raiva de mim?
Foi em meio a essa confusão que eu vi minha mãe se aproximar de mim carrancuda, seus olhos pareciam que iam soltar faíscas. Ela chegou bem perto e me olhando nos olhos disse por entre os dentes:
-Vamos embora, quando chegarmos em casa, nós vamos ter uma conversa séria!
Eu gelei de pavor! Nem força pra chorar eu tive. Mamãe nunca tinha falado assim comigo. Eu me senti a pior das pessoas e me encolhi como se quisesse me esconder dentro de mim, porque todo do lado de fora me causava medo.
Então, mamãe me pegou com firmeza pelo braço e fomos em direção a porta de saída. Se me despedi ou não, eu não me lembro. Era como se o mundo tivesse parado naquele momento, o silencio que eu ouvia era maior do que a casa, do que as ruas... O silêncio era dentro de mim.
E foi assim em silencio que caminhamos, eu e mamãe, até a nossa casa. Nós morávamos perto dali, mas a caminhada pareceu durar horas! Eu respirava com cuidado pra não fazer barulho, quem sabe mamãe não ouvia e esquecia que eu estava ali? quando chegamos em casa, mamãe abriu aporta da sala ainda em silencio, nós entramos e eu fiquei ali em pé quietinha sem saber o que me aconteceria. Mamãe sem dizer uma palavra foi para a cozinha. Eu sozinha no meu silêncio, ouvi uma gaveta abrir, o barulho dos talheres, depois o barulho da porta da geladeira... Tudo parecia em câmera lenta, como se fosse outra dimensão. De repente o silencio foi quebrado com a voz da mamãe me chamando:
-Nara vem aqui!
Eu gelei pela segunda vez. Minhas pernas travaram, tremiam... Eu não conseguia dar passos largos, era como se eu estivesse me arrastando até a cozinha. Quando lá cheguei, mamãe estava parada com uma colher e um vidro na mão, eu reconheci aquele vidro. Mamãe costumava preparar o próprio molho de pimentas, com alho, vinagre, azeite, cebolas e grandes pimentas malaguetas e deixava "curtir no vidro", como ela costumava dizer.
Bem, mamãe encheu uma boa colherada com aquele molho e me disse:
- Abre a boca! Você vai engolir essa pimenta pra aprender a nunca mais ver alguma coisa e sair falando. Nem tudo o que agente vê, agente fala!
Eu engoli a pimenta...
Mas acho que a humilhação foi maior que a queimação, porque eu não me lembro se, ou o quanto ardeu.
Eu nunca mais falei nada do que vi, creio que aprendi a lição. Mas a mulher que apanhou do marido, continuou a falar pra todos sempre que podia que eu era fofoqueira. Por várias vezes na minha frente ela alertou as pessoas para tomarem cuidado comigo. E me caluniou ao me acusar de ter contado para sua irmã mais nova que ela era adotada. E eu sequer sabia que ela era adotada!
Por conta disso os pais dela se mudaram do bairro... Eu aprendi a minha lição, e eles?
Nara
BOM DIA !
hoje eu me sinto melhor, eu não sei porque, mas já que me sinto assim creio que o melhor a se fazer é aproveitar o momento.
Acho Acho que hoje eu tenho condições de fazer jus ao nome desse blog e contar um pouco da minha história. Farei isso de forma espontânea sem ater-me as travas da cronologia. Contarei da forma que me vier na memória, tá bom?
Bem, minha história começou há décadas atrás. Não posso afirmar com certeza, mas acredito que date da minha infância.
Eu tenho uma vaga memória do tempo em que eu era uma criança extrovertida. Ainda tenho na memória uma imagem, apesar de desfocada e pouco nítida, na qual eu estava dançando e sorrindo. E o sentimento que está atrelado a essa imagem é de felicidade. Mas eu não sei quando e nem porque tudo mudou. Só sei dizer que em algum momento da minha infância eu me tornei uma criança muito introvertida, tímida. Não dançava mais nas festas de família, falava baixinho (coisa que todos achavam "bonitinho"). Bonitinho vírgula! Na verdade eu falava pra dentro, e estava me fechando bem diante dos olhares desatentos de todos. Eu praticamente me transformei em uma ostrinha, e com isso passei a ser quase invisível aos olhos dos adultos, pelo menos era essa a impressão que eu tinha. É incrível ver como os adultos podem ser egocêntricos e desatentos! Mas isso é uma outra história vamos focar a atenção em mim por enquanto.
Eu me sentia invisível porque eu era frequentemente esquecida. Talvez fosse pelo fato de que eu não fazia barulho e ficava quietinha feito um jarro no meu cantinho, daí, ninguém me via. Ou via... Quando tropeçava em mim. Em outra oportunidade eu falo mais sobre a minha infância. Pois eu acredito que tenho muita coisa para descobrir sobre mim, que está escondido nela.
E como uma ostra eu passei boa parte da infância que eu tenho na memória, toda a minha adolescencia e parte da vida adulta. Com isso adquiri a fama de "Furona", "Bicho do Mato", anti social, metida, lerda... Até de surda eu levei fama! O engraçado é dessa última eu me convenci, eu realmente acreditei que eu tinha problemas de audição, já que eu realmente decodificava mal as palavras e acabava me confundindo e trocando muitas delas. Isso aconteceu na minha adolescencia, mas hoje eu sei porque e vou explicar pra vocês.
Entender mal as palavras era só uma das coisas que acontecia comigo. Pode parecer engraçado, mas na verdade deveria ter sido considerado como preocupante e tratado, iddo teria me poupado muitos anos de sofrimento. Mas voltando... Além de ouvir mal, eu frequentemente dava literalmente com a "cara na porta". É! praticamente todos os dias e varias vezes ao dia, eu dava com a cara nos portais ao tentar passar pelas portas lá de casa. Uma vez cheguei ao cúmulo de atropelar um guarda roupas enorme que estava no corredor, segurando uma bandeja de cheia de comida que ficou colada no meu peito. Por essa e por outras, ganhei além dos títulos que eu já contei a vocês o apelido familiar de "Lesma Lerda".
Mas o que acontecia comigo era que eu vivia no meu mundo. Mundo que foi se afunilando até ficar resumido ao meu quarto, minhas musicas e os meus pensamentos. Meu mundo ficou tão pequeno que eu já não falava com as pessoas. Não da forma convencional, eu falava com elas em pensamento. Conversava, desenvolvia ideias complexas, resolvia problemas... Mas tudo em pensamento, em silencio. E as pessoas que pouco me conheciam, passaram a conhecer ainda menos. Até hoje não conhecem! É muito comum, as pessoas se surpreenderem com a minha inteligência, meus pensamentos, meus gostos e habilidades. E eu, embora menos do que na minha infância, ainda sou invisível.
Eu não me comportava assim por opção ou por desejar a solidão, em tão pouco por se mal educada como praticamente todos pensam. Eu me comportava e ainda, de certa forma me comporto assim, porque não tenho escolha... Eu não consigo! Eu sempre quis a companhia das das pessoas, mas eu não conseguia falar com elas. Eu sempre quis ir a muitos passeios e festas que furei, mas eu não conseguia sair de casa. Eu sempre quis, eu sempre quis! Mas não tinha animo, nem viço para viver as minhas vontades. Eu vivia triste e sem tesão pela vida. Quanto mais triste mais sozinha e quanto mais sozinha mais triste. Eu precisava de ajuda e nem sabia. Nem eu e nem ninguém que eu conhecia sabia.
O descaso, os apelidos, os deboches, as criticas que a maior parte das pessoas me vaziam somados as broncas e tapas que minha mãe me dava. Ao contrário do que se pensava, não eram indolores ou me ajudavam, eles me empurravam cada vez mais pra dentro de mim. E eu tive que sobreviver sozinha. Uma forasteira entre parentes e amigos lutando todos os dias para permanecer viva.
A ideia de morte esteve presente durante toda a minha adolescencia, ela se apresentava de várias formas. Desde a simples ideia de morrer pra ser notada ou fazer sofrer aqueles que não te viam, até a luta contra a sedutora vontade de cortar os pulsos com os cacos do espelho do banheiro. Mas eu não cedi a essa vontade, porque todos nós depressivos ou não, temos força dentro de nós e eu sou forte. Por isso sobrevivo a todos os meus dias.
A depressão meus caros, é uma luta de sobrevivencia diária, cheia de terríveis batalhas travada no pior e mais cruel dos campos de batalha... Os nossos sentimentos.
Hoje estou aqui contando minha história aos quatro ventos, para tentar ajudar a alguns e quem sabe exorcizar meus fantasmas. Pois já não me contento com a sobrevivencia... Quero viver finalmente.
Bom Dia :-) !
Nara
Acho Acho que hoje eu tenho condições de fazer jus ao nome desse blog e contar um pouco da minha história. Farei isso de forma espontânea sem ater-me as travas da cronologia. Contarei da forma que me vier na memória, tá bom?
Bem, minha história começou há décadas atrás. Não posso afirmar com certeza, mas acredito que date da minha infância.
Eu tenho uma vaga memória do tempo em que eu era uma criança extrovertida. Ainda tenho na memória uma imagem, apesar de desfocada e pouco nítida, na qual eu estava dançando e sorrindo. E o sentimento que está atrelado a essa imagem é de felicidade. Mas eu não sei quando e nem porque tudo mudou. Só sei dizer que em algum momento da minha infância eu me tornei uma criança muito introvertida, tímida. Não dançava mais nas festas de família, falava baixinho (coisa que todos achavam "bonitinho"). Bonitinho vírgula! Na verdade eu falava pra dentro, e estava me fechando bem diante dos olhares desatentos de todos. Eu praticamente me transformei em uma ostrinha, e com isso passei a ser quase invisível aos olhos dos adultos, pelo menos era essa a impressão que eu tinha. É incrível ver como os adultos podem ser egocêntricos e desatentos! Mas isso é uma outra história vamos focar a atenção em mim por enquanto.
Eu me sentia invisível porque eu era frequentemente esquecida. Talvez fosse pelo fato de que eu não fazia barulho e ficava quietinha feito um jarro no meu cantinho, daí, ninguém me via. Ou via... Quando tropeçava em mim. Em outra oportunidade eu falo mais sobre a minha infância. Pois eu acredito que tenho muita coisa para descobrir sobre mim, que está escondido nela.
E como uma ostra eu passei boa parte da infância que eu tenho na memória, toda a minha adolescencia e parte da vida adulta. Com isso adquiri a fama de "Furona", "Bicho do Mato", anti social, metida, lerda... Até de surda eu levei fama! O engraçado é dessa última eu me convenci, eu realmente acreditei que eu tinha problemas de audição, já que eu realmente decodificava mal as palavras e acabava me confundindo e trocando muitas delas. Isso aconteceu na minha adolescencia, mas hoje eu sei porque e vou explicar pra vocês.
Entender mal as palavras era só uma das coisas que acontecia comigo. Pode parecer engraçado, mas na verdade deveria ter sido considerado como preocupante e tratado, iddo teria me poupado muitos anos de sofrimento. Mas voltando... Além de ouvir mal, eu frequentemente dava literalmente com a "cara na porta". É! praticamente todos os dias e varias vezes ao dia, eu dava com a cara nos portais ao tentar passar pelas portas lá de casa. Uma vez cheguei ao cúmulo de atropelar um guarda roupas enorme que estava no corredor, segurando uma bandeja de cheia de comida que ficou colada no meu peito. Por essa e por outras, ganhei além dos títulos que eu já contei a vocês o apelido familiar de "Lesma Lerda".
Mas o que acontecia comigo era que eu vivia no meu mundo. Mundo que foi se afunilando até ficar resumido ao meu quarto, minhas musicas e os meus pensamentos. Meu mundo ficou tão pequeno que eu já não falava com as pessoas. Não da forma convencional, eu falava com elas em pensamento. Conversava, desenvolvia ideias complexas, resolvia problemas... Mas tudo em pensamento, em silencio. E as pessoas que pouco me conheciam, passaram a conhecer ainda menos. Até hoje não conhecem! É muito comum, as pessoas se surpreenderem com a minha inteligência, meus pensamentos, meus gostos e habilidades. E eu, embora menos do que na minha infância, ainda sou invisível.
Eu não me comportava assim por opção ou por desejar a solidão, em tão pouco por se mal educada como praticamente todos pensam. Eu me comportava e ainda, de certa forma me comporto assim, porque não tenho escolha... Eu não consigo! Eu sempre quis a companhia das das pessoas, mas eu não conseguia falar com elas. Eu sempre quis ir a muitos passeios e festas que furei, mas eu não conseguia sair de casa. Eu sempre quis, eu sempre quis! Mas não tinha animo, nem viço para viver as minhas vontades. Eu vivia triste e sem tesão pela vida. Quanto mais triste mais sozinha e quanto mais sozinha mais triste. Eu precisava de ajuda e nem sabia. Nem eu e nem ninguém que eu conhecia sabia.
O descaso, os apelidos, os deboches, as criticas que a maior parte das pessoas me vaziam somados as broncas e tapas que minha mãe me dava. Ao contrário do que se pensava, não eram indolores ou me ajudavam, eles me empurravam cada vez mais pra dentro de mim. E eu tive que sobreviver sozinha. Uma forasteira entre parentes e amigos lutando todos os dias para permanecer viva.
A ideia de morte esteve presente durante toda a minha adolescencia, ela se apresentava de várias formas. Desde a simples ideia de morrer pra ser notada ou fazer sofrer aqueles que não te viam, até a luta contra a sedutora vontade de cortar os pulsos com os cacos do espelho do banheiro. Mas eu não cedi a essa vontade, porque todos nós depressivos ou não, temos força dentro de nós e eu sou forte. Por isso sobrevivo a todos os meus dias.
A depressão meus caros, é uma luta de sobrevivencia diária, cheia de terríveis batalhas travada no pior e mais cruel dos campos de batalha... Os nossos sentimentos.
Hoje estou aqui contando minha história aos quatro ventos, para tentar ajudar a alguns e quem sabe exorcizar meus fantasmas. Pois já não me contento com a sobrevivencia... Quero viver finalmente.
Bom Dia :-) !
Nara
quarta-feira, 16 de junho de 2010
EMOÇÕES EM NUDE
Essa noite eu não consegui dormir. Normalmente quando me falta o sono, eu me deito no sofá e ligo a tv. Me concentro nas imagens, nas palavras não consigo. Assim concentrada nas imagens, eu não penso e o sono vem. Mas essa noite não funcionou, tive que me contentar com breves cochilos entre algumas sequencias de imagens. Mas não tomei nada pra dormir porque me recuso, tomar medicamentos sem orientação desde que quase morri por vontade própria.
Essa semana vou procurar ajuda, pois eu ando estranha e a diferença entre essa e as vezes anteriores é que eu sei o que está acontecendo comigo.
Interessante, depressão é como filhos... Cada um com sua personalidade própria.
Na última vez que me senti assim foi diferente. Eu chorava muito e sentia uma dor que parecia que ia me rasgar ao meio. Dessa vez não dói tanto, mas sinto uma falta de prazer! Uma falta de vontade. Parece que estou vivendo em um mundo morno, com infinitas paisagens em tom pastel onde todas as sensações tem pouca intensidade.
Nos últimos dias creio que piorei um pouco. pois entre o pastel, surge vez por outra o laranja e eu me irrito por pouca coisa. Eu estou ficando sem paciência para ouvir e lidar com os problemas dos outros. Eu vejo a saída para eles e me irrito, porque tenho as minhas próprias angustias pra lidar. Eu preciso chorar, desabafar. Mas quando ele se foi eu prometi a mim e a ele que choraria sua morte apenas um dia, e que depois continuaria vivendo o melhor que eu pudesse, por mim e por ele. Agora, não consigo mais chorarpor quas coisa nenhuma e o melhor que vivo não está sendo suficiente.
Eu escrevia poesia e agora minha poesia se foi e eu me perdi das minhas letras.
Vou procurar ajuda , não posso me dar o luxo de ficar assim. Sou o pilar da minha casa e minhas filhas precisam de mim... Eu preciso de mim.
Minha vida como um todo está uma bagunça. O pai das minhas filhas foi embora há alguns poucos anos, eu já não sofro por ele diretamente. Mas elas sofrem, choram, ficam revoltadas e eu, nesse momento estou sem condições de ajudar a altura. Então preciso melhorar!
Ando preocupada, a mais velha vem apresentando sintomas de depressão e a mais nova que é a mais doce, vem perdendo aos pouquinhos a doçura e está muito sensível. Existe um buraco dentro delas que eu não consigo preencher totalmente. Eu gostaria muito de ter o poder de preencher além da parte que me cabe. Mas creio que é impossível. Mãe deveria vir equipada da fabrica, com um acessório que a tornasse suficiente para preencher por completo, qualquer vazio dentro dos filhos quando fosse necessário. Mas infelizmente não é assim, a maternidade não nos torna onipotentes. Apesar do amor imensurável, temos poderes limitados.
Bom, depois se der eu escrevo mais. Agora creio que toquei o vazio, e também, tenho que cuidar da vida.
Essa semana vou procurar ajuda, pois eu ando estranha e a diferença entre essa e as vezes anteriores é que eu sei o que está acontecendo comigo.
Interessante, depressão é como filhos... Cada um com sua personalidade própria.
Na última vez que me senti assim foi diferente. Eu chorava muito e sentia uma dor que parecia que ia me rasgar ao meio. Dessa vez não dói tanto, mas sinto uma falta de prazer! Uma falta de vontade. Parece que estou vivendo em um mundo morno, com infinitas paisagens em tom pastel onde todas as sensações tem pouca intensidade.
Nos últimos dias creio que piorei um pouco. pois entre o pastel, surge vez por outra o laranja e eu me irrito por pouca coisa. Eu estou ficando sem paciência para ouvir e lidar com os problemas dos outros. Eu vejo a saída para eles e me irrito, porque tenho as minhas próprias angustias pra lidar. Eu preciso chorar, desabafar. Mas quando ele se foi eu prometi a mim e a ele que choraria sua morte apenas um dia, e que depois continuaria vivendo o melhor que eu pudesse, por mim e por ele. Agora, não consigo mais chorarpor quas coisa nenhuma e o melhor que vivo não está sendo suficiente.
Eu escrevia poesia e agora minha poesia se foi e eu me perdi das minhas letras.
Vou procurar ajuda , não posso me dar o luxo de ficar assim. Sou o pilar da minha casa e minhas filhas precisam de mim... Eu preciso de mim.
Minha vida como um todo está uma bagunça. O pai das minhas filhas foi embora há alguns poucos anos, eu já não sofro por ele diretamente. Mas elas sofrem, choram, ficam revoltadas e eu, nesse momento estou sem condições de ajudar a altura. Então preciso melhorar!
Ando preocupada, a mais velha vem apresentando sintomas de depressão e a mais nova que é a mais doce, vem perdendo aos pouquinhos a doçura e está muito sensível. Existe um buraco dentro delas que eu não consigo preencher totalmente. Eu gostaria muito de ter o poder de preencher além da parte que me cabe. Mas creio que é impossível. Mãe deveria vir equipada da fabrica, com um acessório que a tornasse suficiente para preencher por completo, qualquer vazio dentro dos filhos quando fosse necessário. Mas infelizmente não é assim, a maternidade não nos torna onipotentes. Apesar do amor imensurável, temos poderes limitados.
Bom, depois se der eu escrevo mais. Agora creio que toquei o vazio, e também, tenho que cuidar da vida.
terça-feira, 15 de junho de 2010
ESTOU TENTANDO...
Minha intenção ao abrir esse blog era e é escrever textos e mensagens que ajudem a pessoas que sofram de depressão a identificarem a doença, e também trazer alívio as que já descobriram ter depressão.
Mas infelizmente eu não estou bem, e no momento luto contra a minha própria depressão.
Estou sentindo uma falta de prazer imenso, não consigo sentir nada com paixão: amor, dor, desejo,sabor, medo, tristeza... Nada!
Há muito tempo não me sentia assim. Desde que recebi a notícia que ele havia morrido, prece que morri também. Eu venho me aguentando, mas creio ter ultrapassado meus limites.
não vou escrever mais pois estou com pouca energia... Cansada.
Mas infelizmente eu não estou bem, e no momento luto contra a minha própria depressão.
Estou sentindo uma falta de prazer imenso, não consigo sentir nada com paixão: amor, dor, desejo,sabor, medo, tristeza... Nada!
Há muito tempo não me sentia assim. Desde que recebi a notícia que ele havia morrido, prece que morri também. Eu venho me aguentando, mas creio ter ultrapassado meus limites.
não vou escrever mais pois estou com pouca energia... Cansada.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
ESTOU VIVA GRAÇAS A DEUS...
A depressão fez parte de quase toda a minha vida. E hoje de muita luta, auto ajuda, fé e também de pesquisar sobre o assunto. Estou aqui para contar a minha história, dividir meus pensamentos, minhas mensagens de fé força e esperança. Pequenas e valorosas coisas que salvaram a minha vida até agora.Não é fácil para mim falar desse assunto. Mesmo agora, está sendo quase como um parto induzido. Eu espero ter forças para não desistir nessa minha jornada. Uma vez eu ouvi uma autora portuguesa dizer que o primeiro beneficiado psicologicamente pela escrita é o autor.
Então que seja! Peço a Deus forças para não desistir de caminhar por esse caminho de mútua ajuda revestido de letras.E aproveito para dizer a todos e a mim mesma, que estou viva. E que vou continuar lutando por mim e por vocês.
Sejam bem vindos !
Então que seja! Peço a Deus forças para não desistir de caminhar por esse caminho de mútua ajuda revestido de letras.E aproveito para dizer a todos e a mim mesma, que estou viva. E que vou continuar lutando por mim e por vocês.
Sejam bem vindos !
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