Um dos meus maiores medos era ser como foi minha mãe. Altiva, beirando a inflexibilidade, dona e senhora de si. Hoje percebo, que muitas coisas que vivi poderiam ter tido um desenredo muito melhor, se eu tivesse me rendido bem antes ao fato, de que sou muito mais parecida com ela do que imaginei.
Uma vez quando eu era bem menina meu pai me disse o seguinte: Você não é muito diferente da sua mãe. Na verdade é igualzinha a ela. Só que em uma versão mais suave.
Meu pai sempre foi um grande conhecedor de mim.
Eu sempre tive uma visão mais romântica da vida, acho que por conta dessa tal suavidade que trago comigo. Mas agora, finalmente depois de décadas de existência, minha veia romântica tornou-se implícita. Vejo o mundo sem ilusões, não ignoro mais as minhas intuições ou fecho os olhos aos meus instintos de felina.
Aprendi a dar importância as pessoas e coisas na medida que mereçam, sem temer estar sendo dura ou fria.
Não é não.
E sim, deve-se fazer por merecer.
Hoje já não faço mais vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.
Scarlet












