Eu não faço vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.

Scarlet



domingo, 28 de dezembro de 2014

DEFININDO AS REGRAS

Jamais serei novamente quem esperam que eu seja. A não ser que esperem de mim justamente quem sou.
Um dos meus maiores medos era ser como foi minha mãe. Altiva, beirando a inflexibilidade, dona e senhora de si. Hoje percebo, que muitas coisas que vivi poderiam ter tido um desenredo muito melhor, se eu tivesse me rendido bem antes ao fato, de que sou muito mais parecida com ela do que imaginei.
Uma vez quando eu era bem menina meu pai me disse o seguinte: Você não é muito diferente da sua mãe. Na verdade é igualzinha a ela. Só que em uma versão mais suave.
Meu pai sempre foi um grande conhecedor de mim.
Eu sempre tive uma visão mais romântica da vida, acho que por conta dessa tal suavidade que trago comigo. Mas agora, finalmente depois de décadas de existência, minha veia romântica tornou-se implícita. Vejo o mundo sem ilusões, não ignoro mais as minhas intuições ou fecho os olhos aos meus instintos de felina.
Aprendi a dar importância as pessoas e coisas na medida que mereçam, sem temer estar sendo dura ou fria.
Não é não.
E sim, deve-se fazer por merecer.
Hoje já não faço mais vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.

                                                           
              Scarlet                       

APRENDENDO A VIVER

Dor, tristeza... Muitas vezes são inevitáveis,porém, passageiras. Fazem parte da experiencia de estarmos vivos. O sofrer... Ah! Esse irá depender de como administramos essa tristeza. 



                                                        Scarlet

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SILÊNCIO



O silêncio é sempre uma resposta.
O silencio das palavras é a expressão da palavra não dita.
O silêncio de atitudes é o som da covardia de assumir uma posição com a nossa opinião.
Creio que no fundo, tanto o silêncio das palavras quanto o de atitudes, tem um cunho de covardia. Porque silenciar-se é não se comprometer e usufruir comoda ou estrategicamente  do benefício da dúvida alheia.
 O único silêncio que se afasta dessa regra, é aquele que alia-se a atitudes.
Calar é responder. Não agir é tomar uma posição, escolher um partido.
Não se iludam! Muito cuidado com o silêncio. E preste muita atenção naquele que silencia,pois, sempre está a dizer algo muito mais importante do que você imagina.                                                    

                                                            Nara


domingo, 23 de novembro de 2014

É ASSIM


A insensibilidade irresponsável que observo nas pessoas é de certa forma encantadora e ao mesmo tempo intrigante.
Me intriga ver que muita gente se furta a incentivar positivamente pessoas que ousam vencer desafios. Mas, que são capazes de tecer longos e detalhados comentários á respeito das falhas e defeitos dessas mesmas pessoas.
Me intriga a necessidade que muitos têm de criar, cultivar e sustentar para si mesmos uma superioridade ilusória. E diminuir a nobreza que há no outro, que não conseguem ver em si mesmos, mas que é perfeitamente possível a todos nós, desde que trabalhemos nesse sentido.
Me intrigam as pessoas que brincam com sentimentos e magoam deliberadamente. Qual será o prazer? Que sabor tão inebriante tem para essas pessoas, a possibilidade de causar mágoas? Realmente eu não sei.
Mas ao mesmo tempo, o que nisso tudo me encanta. É a possibilidade de ver e saber que muitas pessoas são assim. Mas que existem outras, que mesmo poucas, não são raras. E assim... Assim, não são.
                                                                  
                                                                        Nara

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DEIXA FLUIR


Ultimamente tenho tentado deixar minha mente vazia de tudo que não me acrescenta coisa alguma de bom. Estou dispensando gente chata e pensamentos negativos.Não é um exercício fácil,porque temos o hábito sinistro de ficar ruminando o passado e as coisas ruins, feito gado em pasto verdinho.
O que deu, deu. O que não deu, não deu. Então eu sigo com a vida, que um dia aquilo que tiver que dar, acaba dando.

                                 
                                    Nara

sábado, 15 de novembro de 2014

HAY QUE ENDURECERSE, PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS

Creio que um dos meus maiores medos era perder a inocência e ganhar um naco de amargura.
Amargura que por vezes vi no coração de minha mãe que a vida se encarregou de dorir. Infeliz ou felizmente, tenho que render-me a evidencia de que minha inocência, apesar de muita relutância, perdeu-se em meio as tramas do destino. Eu mudei.
E apesar de tudo, ainda me sinto terna,mas, diferente... mais dura, precavida. Começo a ser capaz de me desvencilhar de dores futuras. Hoje sou bem mais fiel as evidências colhidas pelos meus sentidos.
Sou capaz de dizer: Não! Não quero. Ou virar as costas sem dor ou culpas quando não há o que mereça ser dito.
Mas dentro de mim, ainda vive meu lado terno. Ao mesmo tempo que romântico, realista. Pensei que tal combinação era impossível. Hoje vejo que me enganei. Tudo que sou continua em mim, só que não mais à flor da pele.
Minha inocência não está perdida. Foi a minha essência que amadureceu.

                                                               Nara

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

LIBERTA QUAE SERA TAMEN


É muito comum para além de julgarmos, sentenciarmo-nos cativos de terceiros, a isso ou aquilo. Quando na realidade somos cativos de nós mesmos. Dos nossos medos. Que nos mantém inertes, presos e desacomodados na zona de pseudo conforto que criamos como proteção. Mas que ao contrário do que nos negamos ver, aceitar e enfrentar. Esse conforto ilusório, nos impede de sermos quem nascemos para ser.
Ouse levantar com orgulho sua própria bandeira, e assim como um mantra, grite o mais alto para si mesmo... "Liberdade ainda que tardia!"
                                                              
                                                                  (Nara)

"Avante, Brigada Ligeira!”
Por acaso um homem amedrontado havia?
Não..."

           ( Alfred Tennyson)
                                                                                            

domingo, 9 de novembro de 2014


PAZ



O ano está chegando ao fim e creio que pela primeira vez na vida, não sinto a sensação de perda.
Acho que finalmente minha alma está aprendendo aquilo que minhas palavras diziam.
Não tem como perder amores e amizades que de fato não existem. Na partida desses não se perde, ganha-se... Liberdade, paz de espírito... Maturidade.
Sempre fui uma pessoa de sim e não, do tudo ou nada. Dessa forma cheguei sempre ao quase nada.
Hoje, já consigo vislumbrar o meio termo. Aos poucos venho me distanciando dos extremos do ceticismo e da ingenuidade excessiva, que me expunham as armadilhas que a vida ia sabiamente me colocando pela frente.
Já não me sinto andando em campo minado como antes. Piso no chão com vontade! com certeza de poder chegar ao meu destino. É tão simples meu Deus! Ainda bem que estou aprendendo a utilizar minha energia com o que realmente vale apena. Não se deve antecipar sofrimentos ou sofrer por coisas pequenas. Não devemos teimar em ter o que não deve ser, falar para quem não quer ouvir ou escutar aquilo que ninguém disse, pelo simples fato, de estar apenas na nossa vontade.
O tempo, como tudo que há no universo, é uma célula de Deus. E tudo e todos tem a sua cadencia e sua hora. Caminhamos todos, por certo, para um mesmo fim. Cada qual na sua velocidade.
Tudo que é bom, vem manso e com naturalidade. Não é preciso correr, rastejar implorar ou impor...Simplesmente vem calmamente, tão manso que ao percebermos está alí, sorrindo pra gente.
Turbulências são fruto da nossa falta de humildade, da nossa falta de generosidade, da nossa teimosia. E foi preciso que o mundo caísse sobre a minha cabeça mais uma vez. Que eu me visse cara a cara com a maldade na sua forma mais primária, brutal e instintiva para eu finalmente despertar.
Hoje, pela primeira vez não há peso ou tristeza em minhas palavras. E eu me sinto em paz.
Eu não sei o que acontecerá no próximo ano. Tudo que sei, é que me sinto forte, serena...
                                             
                                                   Nara

O DIÁRIO DA MINHA EMOÇÃO


Há alguns anos atrás, eu escrevi uma frase, ou melhor seria dizer, um pensamento. Que nada mais era do que uma pista para quem quisesse me conhecer. Era ela:

"Só me conhece quem me lê. Quem não me lê, apenas me vê passar."

A invisibilidade pode ser comoda. Mas também é uma maneira solitária de se viver. Hoje tenho uma sensação de aconchego tão grande dentro de mim, que cansei de ser invisível. 
Por isso, estou abrindo as portas do Diário da Minha Emoção, para quem quiser me conhecer.
De coração aberto, recebo à todos de bom grado.
Entrem, aninhem-se! E sejam muito bem vindos.

                                               Nara...
                                                          
                                                             
                                                                       
 Como queiram serei sempre EU.


UM VAZIO NA MULTIDÃO


- Zé o que é?
- O homem escolhido para cuidar do Cristo?
- Não, esse é José.
- Então o que é? Quem é? 
- Não é Moreno, não é Santos, não é Souza, não é Moreira, não é Pinheiro, não é Fernandes, não é Pereira, não é Almeida, não é Rodrigues, não é Carvalho, não é Menezes, não é Maria, não é Oliveira, Não é Ferreira...
Não é dos Anjos ou De Todos Os Santos.
Nem sequer da Silva é.
Um Zé apenas.
Só zé...
Um zé qualquer.
                                                                                 
                                   Nara

sábado, 8 de novembro de 2014

TRANQUILA


É muito mais fácil escolher ser feliz.
Escolher aquilo que se tem, do que lamentar por aquilo que gostaria de de ter. 
Tenho muito.
Tenho minha família e pessoas que gostam de mim verdadeiramente. O que mais eu poderia desejar?
- Mais é claro! 
Desejar, sonhar, ter esperanças e projetos são coisas importantes de se ter...Impulsionam a vida.
Mas no final de tudo o que mais importa, é amar aquilo que temos. Amar desde o início. Da primeira respiração, do primeiro sorriso, dos primeiros passos, do primeiro chocolate, do primeiro namorado, do primeiro dia de aula, do primeiro emprego...Da primeira ruga, do primeiro amigo, do primeiro filho...
Eu amo. Então, posso dizer que sou feliz. 

                                                                       Nara

terça-feira, 4 de novembro de 2014

FLORES

Pessoas gostam de flores, mas, poucos são os que tem disposição para aprender e cultivar um jardim.
Aconselho que comprem flores artificiais. Na rua Buenos Aires aqui no Rio, tem uma loja ótima. Eu mesma tenho um arranjo que fiz com flores que lá comprei, que tem quase 10 anos. Tudo bem que não tem sensibilidade , mas pelo menos dá um efeito visual. 
Flores de verdade vem do coração. Pra ficar num jarro no canto da sala pegando poeira qualquer "fake" com boa aparência serve. Sendo assim , não preciso das de ninguém, "Fake", compro em qualquer lojinha na esquina. E quer saber do que mais? Eu mesma enfeito minha casa, meu bem...
 Sou verdadeira.





"Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo
A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem..."
                                                                       Nara 



segunda-feira, 3 de novembro de 2014


IT HURTS

Às vezes meu coração dói solidário á minha alma , e isso me tira o sono.
É uma dor da emoção que se mostra física, como uma faca que atravessa o peito, irradiando dor para além do corte. Atravessa meu tórax tendo como ponto final, minhas costas. 
Quando isso acontece, sei que fui magoada... a fundo.
Hoje sei que para ser magoado, primeiro temos que nos deixar magoar.
Aí eu pergunto... Vale apena?
Eu mesma respondo... Não.
A dor consome muito da nossa energia, e nada nem ninguém, que te cause dor desnecessária vale apena.
Nada que tire o brilho do seu olhar...
Nada que diminua sua vontade de lutar...
Nada que faça com que você deixe de reparar na beleza do amanhecer...
Nada que altere o seu equilibrio e perturbe a paz dentro de você.
Nada disso vale por essas coisas em risco. Seu sorriso é o seu maior bem. 
                                                                           

                                                                         Nara

                                                                                  



SILÊNCIO

Eu costumo dizer que no silêncio cabe toda e qualquer palavra. Refletindo melhor, acho que vai muito além.
O silêncio é o som de todos os sentimentos não ditos.
No meu caso em especial, o silêncio é o som da minha tristeza. Nenhum outro sentimento é tão capaz de me calar as palavras. 
É uma expressão no olhar e no peito a dor do mais profundo silêncio.
                                                                                                          

sábado, 1 de novembro de 2014

                                                          DESAPARECIDO

Eu era muito pequena mas ainda me lembro dos dias que vierem logo após recebermos a notícia de que o navio que meu pai estava embarcado, Horta Barbosa, havia colidido com outro navio no Golfo Pérsico.
Foram dias sombrios. Era como se vivêssemos no limbo. Os dias passavam pesados, quase sem som. Só havia um sentimento calado que rondava pela casa e em nossos corações. O mas estranho, é que não se falava sobre isso, evitávamos. Era como se falar nesses sentimentos tivesse o poder de transforma-los em realidade.
Levávamos os nossos dias tentando enganar a realidade, como se nada estivesse acontecendo.
Lidar com a morte, é infinitamente mais fácil do que lidar com o desaparecimento de alguém que se ama.
Nessa situação só temos duas alternativas: Sucumbir a tristeza e ao desalento, morrendo em vida. Ou nos apegarmos a fé, a esperança, buscar alento e assim não morrendo por inteiro. Porque, quando alguém que se ama desaparece, algo em nós desaparece com essa pessoa. Por consequência, morre.
Alento, é tudo o que pode conseguir alguém que tem um ente desaparecido. Pois o fantasma do desaparecimento fica sempre ali, no canto da nossa memória. Que com o passar do tempo, se torna o cantinho mais escuro.
E para sobrevivermos, de certa forma vivemos na utopia de suposições mais amenas, que nos acalentam a alma e fim...
Graças a deus, meu pai voltou para casa à salvo  e nossa utopia teve um final feliz.
Mas, infelizmente nem todos aqueles que desaparecem voltam. Uns porque estão mortos, uns porque são impedidos de voltar e ainda há, os  que não voltam por vontade própria.
Nada mais cruel do que ser impedido de dizer adeus a quem se ama! Sinto uma dó solidária de quem sobrevive assim.
Sem fim...
                                                                                         

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Silêncio (Beethoven) - Texto de Pablo Neruda






Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe”.

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela quis-me e por vezes também eu a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la!
Está estrelada a noite e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Como para aproximá-la, o meu olhar procura-a.
Meu coração procura-a e ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Porém, nós já não somos os mesmos desses dias.

Já não a amo, é certo, mas quanto a amei!
Minha voz buscava o vento para tocar os seus ouvidos.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A sua voz, o seu corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é certo, mas talvez ainda a ame.
É tão breve o amor e tão longo o olvido.

Porque em noites como esta tive-a nos meus braços,
Minha alma não se conforma com tê-la perdido.

Embora esta seja a última dor que ela me causa,
E estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

      Pablo Neruda
                    O MAR DOS MEUS OLHOS







"Há mulheres que trazem o mar nos olhos

Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes



Há mulheres que trazem o mar nos olhos

pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma."

Sophia de Mello Breyner Andresen


Há tempos que sou uma viajante das entrelinhas, acho até que sempre fui. Não faz muitos dias, escrevi em algum lugar que, o óbvio contraditoriamente à palavra, não pode ser visto a olho nu.
A sensibilidade no olhar está para a percepção da verdade, assim como o microscópio para visualização de micro organismos.

Feliz ou infelizmente o mar que trago nos meus olhos, sempre deram a mim tal habilidade. Porém, contrapondo-se ao meu olhar, a boa fé do meu coração de menina muitas vezes recusou-se a aceitar o que via o meu olhar. Infringindo a si mesmo dores desnecessárias.
Hoje, esse coração conserva a sua essência. Porém, compreendeu que habita um peito de mulher com o mar em seu olhar. E procura respeitá-lo, para que não se deixe novamente enganar.

            Nara