Eu não faço vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.

Scarlet



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CINE VENEZA



Cine Veneza inaugurado em 1963 na Av Paster aqui no Rio de Janeiro. Há quem diga que é Botafogo outros, Urca -eu fico com Botafogo- Foi um dos mais importantes cinemas da cidade do Rio de Janeiro durante as décadas de 70 e 80. Fechou suas portas em 1993, quando deu lugar a um bingo. Hoje reformado, Abriga o Centro Cultural veneza.
Foi nesse patrimônio da história cultural do Rio, em que se deu um dos vários episódios tragicômicos da minha vida.
Lá estava eu, em 1985 nos meus jovens anos de vida. Naquela fase complicada em que deixamos de ser adolescentes ou somos quase adultos. Quando descobrimos a maravilhosa comunhão de amor e sexo - eu sei que hoje está tudo mais precoce, mas não vem ao caso - Voltando... Lá estava eu. Naquela época eu havia descoberto o meu primeiro amor de carne e osso (  bem mais carne que osso ). E como todo marinheiro de primeira viajem me encantei, fiquei em êxtase e me apaixonei. O que me deixou cega a evidencia de que aquele relacionamento não tinha futuro. Resultado? Pé na bunda.
Sabe aquele pé na bunda tão bem dado que agente fica com a marca da sola do sapato nas duas nádegas? Foi desse jeito! Eu fiquei no bagaço, completamente arrasada emocionalmente. Tanto, que minha mãe que naquela época era "executiva de fronteira", resolveu na tentativa de levantar meu astral me levar com ela para  uma negócios. Para o azar dela eu diria, Pois eu fui e voltei chorando do Rio ao Paraguai e agente estava viajando de onibus, vocês acreditam? Ela me olhava com uma cara que eu não sabia se estava com ódio ou pena de mim.
Como deu pra perceber,a viajem não adiantou muito. dias depois de voltar eu ainda era pura tristeza e desolamento. Foi então que minha melhor amiga resolveu me levar ao cinema. Eu estava tão apática que deixei a critério dela  escolher o filme.
Na hora marcada ela chegou lá em casa. Eu já estava arrumada, coloquei uma roupa bonita, passei batom... Eu realmente estava disposta a tentar me divertir um pouco. Quando entrei no carro começamos logo a conversar, eu procurava manter o bom humor e até esbocei algumas gargalhadas. Virgínia é uma pessoa animada e uma das suas características mais marcantes é o sorriso largo seguido de sonora gargalhada.
Estávamos tão animadas que só percebi onde íamos quando lá cheguei. Estávamos em frente ao Cine Veneza, e o filme em cartaz era nada mais nada menos que "A cor Púrpura" com Woopi Goldberg e Ophra Winfrey ( antes de de ficar milionária e bonitona).
Virgínia não poderia ter sido mais infeliz na escolha do filme. Na verdade eu acho que ela nem sabia do que o filme se tratava. para quem não sabe, vou tentar resumir em pouca palavras: Celie - personagem da Woopi - é orfã, feia, é estuprada, cuspida, casa com um homem pior que o diabo, espancada, separada da única irmã e dos filhos, além de ser tratada pior que cachorro pelos enteados. Ela é tão maltratada que sua melhor amiga fica sendo a amante do marido. Um filme perfeito pra quem está deprimido né? rs
Eu comecei a chorar logo nas primeiras cenas. Mas nessa cena aí em cima entrei em prantos, num chorar convulsivante, praticamente um escândalo! uma cena pra lá de tosca.
Minha amiga ao invés de me tirar dali, ou pelo menos disfarçar ver o filme. Olhou pra minha cara e caiu na gargalhada, riu de mim até terminar o filme. Quando terminou, eu havia chorado tanto que meus olhos ficaram tão inchados que quase não se abriam. Nunca fiquei tão aliviada por um filme terminar!
O bom disso, foi que a cena foi tão ridícula que ao sair eu ri de mim mesma. E no final tudo ficou bem... Eu voltei a sorrir.
Eu não sei se por trauma, mas depois de "A Cor Púrpura" fiquei um tempão sem voltar ao Veneza. Depois desse filme, o próximo que me lembro ter assistido naquele cinema  foi "A Sociedade dos Poetas Mortos", uns quatro anos mais tarde. Que apesar de também ser um drama, era uma exaltação ao "carpe diem" que aliás,passou a fazer parte do meu vocabulário ... E porque não? Aproveitem não só os bons mas todos os dias,porque até as memórias trágicas com o passar dos anos farão parte das boas memórias do passado.
                                                                                                      Nara

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