Eu não faço vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.

Scarlet



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

AMAR OU SER AMADO?

"João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história."
                                      (Quadrilha /Carlos Drummont de Andrade)


Há algumas horas atrás eu falei sobre o amor. Então não se bem explicar porque, comecei a pensar na importância de se saber amar. Uma coisa puxa a outra e acabei me dando conta, de que todo mundo pelo menos uma vez na vida ama a alguém. Mas que com certa frequência não somos amados por esse alguém, e sim, por um outro alguém a quem não amamos. Irônico não é?

E no desenrolar dessa linha de pensamento, percebi que tão importante quanto saber amar, é saber ser amado. Na verdade talvez pode ser até mais difícil. Deixe eu ver se me faço entender.
Como eu disse no texto anterior, quando amamos nos tornamos naturalmente generosos e protetores com o ser amado. Um sorriso simples e desinteressado pode nos fazer ter a sensação de termos ganhado o dia. Quando amamos queremos agradar e satisfizer o ser amado, na verdade torna-se necessário, pois essa inclinação é mais forte de que nós. Sendo assim, sai naturalmente nos escorregando pelos sentidos em direção ao nosso afeto, e quando percebemos... Pronto, está feito!
Pois é! Mas quando ao invés de amarmos, somos amados? Como é que fica? Como lidarmos com tanta generosidade sem deixar que nosso instinto oportunista se aproveite dela? Como lidar com o fato de que o nosso sorriso é importante para quem nos ama, mas não o mais importante do mundo?
É muito bom ser amado, mexe com a nossa vaidade - mesmo que agente não ame quem nos ama-  insufla o nosso ego.
Então, como fazer para que o nosso egoísmo não caia feito jaca madura sobre o sublime do amor? Como fazemos pra respeitar um sentimento autruísta que não é o nosso?
Eu acho que sei a resposta... Basta lembrarmos-nos de quando uma vez amamos.
Engraçado, como agente se complica!
Quem ama deve ter cuidado para que a sua generosidade amorosa, não lhe faça dar mais do que se pode. Quem é amado deve cuidar para não ser egoísta.
Então o que é mais importante saber amar ou saber ser amado?
Ambos. Reciprocidade no amor é coisa rara. Para sermos mais felizes, é melhor aprendermos a lidar com os desencontros.
   
 Nara

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