"Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Há tempos que sou uma viajante das entrelinhas, acho até que sempre fui. Não faz muitos dias, escrevi em algum lugar que, o óbvio contraditoriamente à palavra, não pode ser visto a olho nu.
A sensibilidade no olhar está para a percepção da verdade, assim como o microscópio para visualização de micro organismos.
Feliz ou infelizmente o mar que trago nos meus olhos, sempre deram a mim tal habilidade. Porém, contrapondo-se ao meu olhar, a boa fé do meu coração de menina muitas vezes recusou-se a aceitar o que via o meu olhar. Infringindo a si mesmo dores desnecessárias.
Hoje, esse coração conserva a sua essência. Porém, compreendeu que habita um peito de mulher com o mar em seu olhar. E procura respeitá-lo, para que não se deixe novamente enganar.

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