Eu não faço vontades. Abro concessões baseadas na lei do merecimento.

Scarlet



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O PRIMEIRO DIA DO RESTO DA MINHA VIDA

Ao contrário do que o título sugere não é hoje, foi ontem.
Ontem quando eu acordei tive a sensação de que minha vida se iniciava naquele amanhecer. Senti vida em mim, coisa que fazia algum tempo eu não sentia. E como se a vida apenas não me bastasse, senti também paz. coisa que havia me abandonado muito antes que a vida.
Quando escrevemos as nossas memórias, escrevemos a princípio para nós mesmos, então terei que voltar um pouco atrás em minhas memórias para que eu consiga me fazer entender um pouco melhor...
Desde que a imagem da família que eu tinha e que julgava ser o modelo daquilo que uma família deveria ser, foi descortinada diante dos meus olhos como uma farsa que eu acreditei, por julgar ter sido originada por uma união de amor com uma pessoa que existia... Sim, existia. Mas aos poucos e depois de súbito descobri que existia, mas apenas na imagem que essa pessoa vendia e que eu acreditei por querer acreditar. Enfim, quando essa imagem veio por terra, relutante a princípio, depois de forma incontestável. Que eu tinha uma família de três e não quatro pessoas e que essa era a realidade.
Bom, nessa época a vida foi-se de um pouco mas apesar das aparências , ainda muita vida me restou. Pelo menos vida suficiente para eu me reerguer internamente e sustentar outras duas pequenas vidas que dependiam de mim .  
E enquanto eu me reerguia, minha vida se cruzou com outra vida que me ensinou e deu a mim substrato para realmente ter e reconhecer a vida que tenho dentro de mim. Então eu vivi...
Quando descobri que ele estava doente não tive tempo para entristecer ou me lamentar. Pois, direcionei minhas energias para gerar esperança, tranquilidade e felicidade e transmitir a ele através do meu amor nos dias que se seguiriam e  que eu tinha a esperança que ainda poderiam ser muitos. Na verdade farão e continuam a ser, porém sem a presença dele.
Quando ele partiu, de alguma forma senti minha vida ir-se também. no início era uma falta de ar, sensação de desmaio, ânsia de vomito que foram aplacadas por uma dor aguda e contundente no meu peito. Dor constante que ia me tirando as forças...
Então quando eu quase adoecia, uma brisa com um perfume com uma aroma de um frescor indescritível e um beijo ,me acordaram na madrugada e a dor foi embora de forma tão milagrosa como o perfume que veio e se foi com a brisa. Eu fiquei sem dor, mas ainda não sentia vida.
Foi ontem que inesperadamente e depois de quase um ano , que pela primeira vez me senti viva. Eu acordei assim, viva! Senti fluir por todas a minhas células, me corpo meu cheiro... Viva! e foi assim , extasiada pela alegria de estar a me sentir... Viva! Quem em uma fração de segundos olhei lá para o início de tudo, e me lembrei que o pai das minhas filhas não me ligou no meu aniversário e eu sequer tinha percebido. De repente notei que naquele instante eu tinha percebido e teve pra mim, a mesma importância que tinha quando eu não havia percebido. Foi então que me percebi que da união com o pai das minhas filhas nada foi vivido de tão bom que  pudesse ter semeado dentro de mim a saudade.
Eu não estou apenas viva... Estou viva e livre!
Então olhei para frente e dois olhos verdes me sorriam. E eu?
Eu retribuí o sorriso.
Foi o sorriso do primeiro dia do resto da minha vida...

                                                                                         
 Nara

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