E com isso eu percebi que se tivessem prestado mais atenção em mim quando ainda criança, minha vida teria sido muito diferente. Desde pequena procuro um lugar para pertencer, eu me sinto solta na vida. E como conseqüência, eu acabei fazendo péssimas escolhas. Aceitei qualquer coisa que me desse a sensação de pertencer a algum lugar. Contentei-me com pouco, e acabei não construindo nenhum lugar pra mim, por isso essa solidão
Por me sentir assim, eu passei por quase toda a minha vida procurando um lugar para pertencer. E por causa disso escolhi muito mal minhas parcerias, pois me contentava com migalhas, com pessoas que muito pouco ou nada tinham pra me oferecer.
Quando agente se encontra nessa condição, normalmente ocorre um desequilíbrio muito importante: Nós nos acostumamos a relevar excessivamente e a calarmos quando chega a hora de comunicarmos nossas necessidades... Principalmente as emocionais. Nós nos sentimos culpados ao expor-mos nossas vontades, é como se estivéssemos roubando algo de alguém ou sendo injustos e exigentes. O resultado é que acabamos tendo o nosso “EU” cada vez mais oprimido, podendo até mesmo ser anulado. Nos tornamos pessoas "convenientes", os outros abusam de nós sem medida. E aquela sensação de invisibilidade aumenta, instalando um círculo vicioso que nos massacra emocionalmente, nos tornando cada vez mais infelizes.
É importante que eu diga que depois de décadas vivendo dessa forma eu percebi uma coisa muito importante e igualmente reveladora. É fundamental que seja dado “a Cesar o que é de Cesar”, como também muito justo. Muitas pessoas abusam de nós e elas têm a culpa que lhes cabe. Porque todos nós sempre temos a opção de fazer ou não alguma coisa. Todos nós temos, mesmo que não a princípio, a consciência de estarmos fazendo mal a alguém. E se após essa consciência, imediata ou não, persistimos no ato... É porque, de alguma forma é conveniente. Isso é um fato, porém, não o único. O outro, e o mais importante creio eu, é o seguinte: Nós permitimos! Sim, nós permitimos. Quando ultrapassam o nosso limite de tolerância seja material, moral, emocional ou qualquer outro que seja. O fazem porque NÓS permitimos. E se continuam a ultrapassar os limites, é porque nós insistimos em permitir. Tudo bem que temos dificuldade por algum bloqueio emocional, mas não muda o fato de que NÓS permitimos. E o primeiro passo para mudarmos essa situação, é pararmos de justificar essa permissividade com as nossas impossibilidades e lutarmos para transformá-las em possibilidades.
Isso nada mais é que física, um transporte passivo e inevitável onde a substancia passa do meio de maior para o de menor concentração até que o equilíbrio seja estabelecido. E dessa forma, toda vez que deixamos um espaço vazio alguém ocupa. E quando esse espaço é dentro de nós, essa ocupação pode acontecer de forma avassaladora que muitas das vezes não gera qualquer equilíbrio. Esse sentimento de “cidadão de lugar nenhum” é improcedente. Todos pertencermos ao lugar que conquistamos, e principalmente, pertencemos a nós mesmos.
*Solidão é um estado de espírito. Só estamos realmente sós quando assim nos sentimos.


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