hoje eu me sinto melhor, eu não sei porque, mas já que me sinto assim creio que o melhor a se fazer é aproveitar o momento.
Acho Acho que hoje eu tenho condições de fazer jus ao nome desse blog e contar um pouco da minha história. Farei isso de forma espontânea sem ater-me as travas da cronologia. Contarei da forma que me vier na memória, tá bom?
Bem, minha história começou há décadas atrás. Não posso afirmar com certeza, mas acredito que date da minha infância.
Eu tenho uma vaga memória do tempo em que eu era uma criança extrovertida. Ainda tenho na memória uma imagem, apesar de desfocada e pouco nítida, na qual eu estava dançando e sorrindo. E o sentimento que está atrelado a essa imagem é de felicidade. Mas eu não sei quando e nem porque tudo mudou. Só sei dizer que em algum momento da minha infância eu me tornei uma criança muito introvertida, tímida. Não dançava mais nas festas de família, falava baixinho (coisa que todos achavam "bonitinho"). Bonitinho vírgula! Na verdade eu falava pra dentro, e estava me fechando bem diante dos olhares desatentos de todos. Eu praticamente me transformei em uma ostrinha, e com isso passei a ser quase invisível aos olhos dos adultos, pelo menos era essa a impressão que eu tinha. É incrível ver como os adultos podem ser egocêntricos e desatentos! Mas isso é uma outra história vamos focar a atenção em mim por enquanto.
Eu me sentia invisível porque eu era frequentemente esquecida. Talvez fosse pelo fato de que eu não fazia barulho e ficava quietinha feito um jarro no meu cantinho, daí, ninguém me via. Ou via... Quando tropeçava em mim. Em outra oportunidade eu falo mais sobre a minha infância. Pois eu acredito que tenho muita coisa para descobrir sobre mim, que está escondido nela.
E como uma ostra eu passei boa parte da infância que eu tenho na memória, toda a minha adolescencia e parte da vida adulta. Com isso adquiri a fama de "Furona", "Bicho do Mato", anti social, metida, lerda... Até de surda eu levei fama! O engraçado é dessa última eu me convenci, eu realmente acreditei que eu tinha problemas de audição, já que eu realmente decodificava mal as palavras e acabava me confundindo e trocando muitas delas. Isso aconteceu na minha adolescencia, mas hoje eu sei porque e vou explicar pra vocês.
Entender mal as palavras era só uma das coisas que acontecia comigo. Pode parecer engraçado, mas na verdade deveria ter sido considerado como preocupante e tratado, iddo teria me poupado muitos anos de sofrimento. Mas voltando... Além de ouvir mal, eu frequentemente dava literalmente com a "cara na porta". É! praticamente todos os dias e varias vezes ao dia, eu dava com a cara nos portais ao tentar passar pelas portas lá de casa. Uma vez cheguei ao cúmulo de atropelar um guarda roupas enorme que estava no corredor, segurando uma bandeja de cheia de comida que ficou colada no meu peito. Por essa e por outras, ganhei além dos títulos que eu já contei a vocês o apelido familiar de "Lesma Lerda".
Mas o que acontecia comigo era que eu vivia no meu mundo. Mundo que foi se afunilando até ficar resumido ao meu quarto, minhas musicas e os meus pensamentos. Meu mundo ficou tão pequeno que eu já não falava com as pessoas. Não da forma convencional, eu falava com elas em pensamento. Conversava, desenvolvia ideias complexas, resolvia problemas... Mas tudo em pensamento, em silencio. E as pessoas que pouco me conheciam, passaram a conhecer ainda menos. Até hoje não conhecem! É muito comum, as pessoas se surpreenderem com a minha inteligência, meus pensamentos, meus gostos e habilidades. E eu, embora menos do que na minha infância, ainda sou invisível.
Eu não me comportava assim por opção ou por desejar a solidão, em tão pouco por se mal educada como praticamente todos pensam. Eu me comportava e ainda, de certa forma me comporto assim, porque não tenho escolha... Eu não consigo! Eu sempre quis a companhia das das pessoas, mas eu não conseguia falar com elas. Eu sempre quis ir a muitos passeios e festas que furei, mas eu não conseguia sair de casa. Eu sempre quis, eu sempre quis! Mas não tinha animo, nem viço para viver as minhas vontades. Eu vivia triste e sem tesão pela vida. Quanto mais triste mais sozinha e quanto mais sozinha mais triste. Eu precisava de ajuda e nem sabia. Nem eu e nem ninguém que eu conhecia sabia.
O descaso, os apelidos, os deboches, as criticas que a maior parte das pessoas me vaziam somados as broncas e tapas que minha mãe me dava. Ao contrário do que se pensava, não eram indolores ou me ajudavam, eles me empurravam cada vez mais pra dentro de mim. E eu tive que sobreviver sozinha. Uma forasteira entre parentes e amigos lutando todos os dias para permanecer viva.
A ideia de morte esteve presente durante toda a minha adolescencia, ela se apresentava de várias formas. Desde a simples ideia de morrer pra ser notada ou fazer sofrer aqueles que não te viam, até a luta contra a sedutora vontade de cortar os pulsos com os cacos do espelho do banheiro. Mas eu não cedi a essa vontade, porque todos nós depressivos ou não, temos força dentro de nós e eu sou forte. Por isso sobrevivo a todos os meus dias.
A depressão meus caros, é uma luta de sobrevivencia diária, cheia de terríveis batalhas travada no pior e mais cruel dos campos de batalha... Os nossos sentimentos.
Hoje estou aqui contando minha história aos quatro ventos, para tentar ajudar a alguns e quem sabe exorcizar meus fantasmas. Pois já não me contento com a sobrevivencia... Quero viver finalmente.
Bom Dia :-) !
Nara

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