Há um ano atrás, eu estava restaurando as cadeiras da minha varanda ao som dessa música que eu ouvia incessantemente no meu fone de ouvido. Consigo até mesmo me lembrar do cheiro que pairava no ar daquelas noites que passei decorando minha varanda, como quem decorava a própria vida para o futuro que estava começando naquele momento.
Eu estava feliz! Cantava... sorria, sonhava... Tudo enquanto pintava.
Na verdade, naquele momento eu era um pássaro feliz a construir o ninho. Eu me sentia a mais feliz e sortuda mulher de todo planeta e arredores! Amada, segura, cheia de esperança no futuro e vivendo intensamente o presente que me fazia sentir plena.
Mas o futuro - pelo menos o futuro que eu sonhei naquele momento - me foi tirado das mãos pela morte. E eu, mulher de incontáveis recomeços tive que recomeçar novamente.
Tenho uma história de muitas perdas, mas dessa vez foi diferente. Não fiquei melancólica ou revoltada como o de costume. Um silêncio se instalou no meu peito como se algo dentro dele também tivesse morrido. E eu parei de decorar a varanda, mas continuei com a vida.
Hoje, olho para trás, depois para mim e vejo que sobrevivi. Mas dele nunca mais vou me esquecer... Ele faz parte de mim.
Nara
"Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer"
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer"
(Aldir Blanc e Cristovão Bastos)
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